Antropoceno, Capitaloceno, ou o preço de tratar a natureza como mercadoria
Há pouco mais de dois anos, a hipótese de a Terra estar vivendo uma nova época geológica, o Antropoceno, foi rejeitada pela Comissão Internacional de Estratigrafia – a maior e mais antiga instância da União Internacional de Ciências Geológicas, que padroniza as formas de contar a história do planeta.
Antropoceno quer dizer, de forma muito simplificada, “era do Humano”.
Nesta nova época, nós, humanos, teríamos nos transformado em uma força geológica capaz de alterar as condições de vida na Terra.
E não de formas muito positivas.
As evidências desse fenômeno só crescem.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas O aquecimento da superfície terrestre induzido pelo ser humano tem aumentado a uma taxa sem precedentes, atingindo 0,27°C por década no período de 2015 a 2024, conforme os Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC) da ONU .
O Nível Médio Global do Mar (NMGM), outro indicador utilizado pelos especialistas, é igualmente alarmante: se a elevação do nível do mar desde 1901 foi de 23 cm, apenas nos últimos dez anos ela alcançou 3,5 cm.
A maior preocupação é menos a elevação desses indicadores e mais a velocidade impressionante com que esses processos vêm ocorrendo.
A proposta conceitual de Antropoceno havia sido trabalhada por um grupo de cientistas durante mais de uma década.
Segundo eles, a quantidade de energia utilizada pelas atividades humanas teria atingido níveis tão grandes a ponto de marcar camadas profundas de solo.
Registros estratigráficos, que são aqueles que demonstram como essas camadas são produzidas, passaram a apresentar níveis de materiais produzidos pelos seres humanos como nunca antes em nossa história.
Apesar de não ter sido formalmente adotada, a denominação Antropoceno ganhou a esfera pública e entrou no vocabulário de organizações, movimentos, pesquisadores e pesquisadoras para se referir ao período em que vivemos: uma época marcada pelo uso crescente de combustíveis fósseis, pelo consumo incessante de energia e consumo irrefletido dos recursos naturais.
Contudo, os seres humanos contribuem de formas muito díspares para o nível atual da crise climática.
Segundo relatório da Carbon Majors, cuja base de dados analisa as 178 maiores empresas de combustíveis fósseis e cimento do mundo, apenas 100 empresas foram responsáveis por 70% das emissões globais de gases de efeito estufa desde 1988.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.