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Data centers no Brasil esbarram em desafios do setor de energia, diz sócio da Lefosse

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Data centers no Brasil esbarram em desafios do setor de energia, diz sócio da Lefosse

O Brasil tem todo o potencial para atrair data centers , por possuir conectividade digital via cabos submarinos e fibra ótica, além de ter matriz energética limpa. Mas Raphael Gomes, sócio de energia da Lefosse , acredita que o país esbarra em alguns gargalos. Citou especificamente a restrição de conexão na energia elétrica e a falta de diálogo entre o Ministério das Minas e Energia e a Aneel.

Em sua visão, sem uma governança centralizada, o segmento tem imprevisibilidade. Também acredita que as alterações constantes em resoluções e a demora na regulação, como regras de autoprodução de energia e decreto de conexão, afastam investimentos bilionários e forçam a judicialização do setor.

Durante o Lefosse Energy Day 2026, o especialista afirmou que o Brasil sofre com o curtailment (desligamento da rede de fornecimento de energia) por ter energia de sobra. Isso poderia ser suprido com data centers consumindo parte dessa energia. Porém, há uma falta severa de redes de transmissão para conectar o consumidor (centro de dados) à rede básica de transmissão.

Não só isso, a diretora de gestão energética da Ascenty , Marcela Martins, explicou que a regulação não permite que os data centers (conhecidos como grandes consumidores de energia) façam essa conexão diretamente por conta própria. De acordo com a executiva, o processo atual para se conectar à rede básica depende de:

Martins reforçou que esse trâmite pode demorar sete anos, em um cenário que as empresas de centro de dados, hyperscalers e demais usuários esperam ter seus espaços prontos para consumo em dois anos. Afirmou ainda que o cenário é diferente no Chile e no México, por serem países que permitem aos data centers investirem na ampliação e reforço da rede básica para acelerarem suas conexões.

Com isso, Martins acredita que o Brasil deve se basear nas regulações de seus vizinhos para facilitar o acesso.

Atualmente com 26 data centers em operação e capacidade total de 370 MW no Brasil, Chile e México, mas que pode chegar a 924 MW com outros 14 que estão em construção nos três países e na Colômbia, a diretora da Ascenty explicou que enquanto não tem essa ligação direta, a companhia aposta na autoprodução de energia em grandes parques, como o acordo para 110 MW com a Casa dos Ventos por 15 anos para levar o melhor custo aos seus clientes, sendo que a empresa de data centers entra como sócio na estrutura societária de equiparação dos ativos solares e eólicos.

Neste cenário, Patricia Candido, VP jurídica da Statkraft na América Latina, disse que os grandes projetos de data centers com compra direta de energia sem vínculo societário (PPA) ficam praticamente extintos. Portanto, o caminho passa a ser o consórcio e o arrendamento na autoprodução, somente isso viabiliza os benefícios econômicos e a isenção de encargos setoriais.

Vitor Caram, diretor de expansão da Odata na América Latina, afirmou que há um salto global de crescimento da demanda puxado pela inteligência artificial.

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