Reajuste do Bolsa Família surpreende mercado às vésperas da eleição; ‘mensagem é muito ruim’, diz economista
O reajuste de 15% no Bolsa Família , anunciado pleo governo na manhã desta quinta-feira (17), é uma “mensagem muito ruim do governo para o mercado” a poucos dias das eleições, na avaliação de André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica.
“O governo não dá muita margem para o mercado interpretar de outra forma senão que a medida é puramente eleitoreira”, disse Galhardo ao Money Times .
Mais cedo, o governo pegou o mercado de surpresa ao anunciar a medida que ajusta o piso do programa social de R$ 600 para R$ 691 por família .
Com isso, a média dos benefícios deve sair de R$ 691 para R$ 777.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo da medida é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.
Ele ainda afirmou que a medida não estava prevista no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do próximo ano, enviada pelo governo ao Congresso em agosto.
Em reação, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%, dólar e juros futuros avançaram para as máximas intradia.
Para o economista, apesar de o impacto direto sobre as contas públicas ser modesto, a medida pode aumentar as dúvidas sobre a capacidade de o governo promover um ajuste das despesas no próximo ano.
“Embora, do ponto de vista fiscal, isso não seja um problema gravíssimo, a mensagem que se passa através da medida é muito ruim.
O governo precisava passar uma mensagem de que um eventual quarto mandato do Lula seria marcado pela intensificação dessa intenção de melhorar as contas públicas.
E não é isso que se passa quando você faz um reajuste do programa Bolsa Família às vésperas das eleições”, disse.
O economista lembra que o ex-presidente Jair Bolsonaro editou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que ficou conhecida como “Kamikaze” , que ampliou benefícios sociais e criou despesas em ano eleitoral.
Para ele, Lula repete o mesmo erro do passado.
“O fato de o governo Bolsonaro ter rompido o teto de gastos em 2022 e afrontado a Lei de Responsabilidade Fiscal não justifica que o governo atual passe esse tipo de sinalização agora”, avalia Galhardo.
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