Ibovespa flerta com menor nível desde agosto e coloca em xeque tese de ‘caiu, comprou’
Com tombo acumulado de quase 17% somente nas últimas três sessões, a pergunta que ecoa entre os investidores é: a bolsa brasileira ficou barata e virou uma oportunidade irrecusável de compra? A resposta curta é: não exatamente.
A máxima do “caiu, comprou”, que guiou muitos investidores em momentos de estresse no passado, acaba de ser colocada em xeque.
O Ibovespa passou a flertar com os 170 mil pontos, encostando no menor patamar desde agosto - quando o índice marcou 167.927 pontos no dia 20 daquele mês.
Ao romper o suporte crítico dos 181.500 mil pontos, o Ibovespa perdeu a tendência de alta que vinha defendendo e entrou em uma zona de profunda indefinição técnica.
Para o Itaú BBA, o momento não é de antecipar posições, mas de cautela.
Sem um sinal claro de recuperação, as perdas recentes abrem espaço para o índice buscar suportes ainda mais baixos, na região dos 169.500 mil e até 164.800 mil pontos.
"A tese do 'caiu, comprou' é, de certa forma, colocada em xeque no curto prazo.
Apesar de, no longo prazo, ser plenamente possível sentirmos saudades dos preços atuais, a queda do momento tem fundamento", avalia Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital.
"O mercado está preocupado com a situação fiscal do país, enquanto o governo não entrega sinalizações de que pretende corrigir o problema na raiz como era esperado", pondera.
A fraqueza da bolsa reflete um movimento amplo de desconfiança doméstica, potencializado pela debandada de quem costuma dar ritmo à B3: o investidor estrangeiro.
Antes do segundo turno, a expectativa predominante no mercado era de que Flávio Bolsonaro (PL) mantivesse a liderança vista no primeiro turno e confirmasse a vitória nas urnas - repetindo uma tendência histórica.
Grande parte dos investidores se posicionou justamente para surfar a valorização dos ativos sob essa premissa.
A confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, forçou uma mudança de rota.
Enquanto os investidores locais correram para ajustar a exposição ao risco fiscal, os dados da B3 mostram que a debandada do capital externo começou ainda na véspera do segundo turno, com retiradas líquidas de R$ 1,03 bilhão no dia 22 e de R$ 2,94 bilhões no dia 23.
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