Braskem (BRKM5) avança para pedir recuperação extrajudicial com mais de US$ 10 bilhões em dívida, diz jornal
Prazo de proteção contra credores terminou nesta segunda-feira (24). Agora, petroquímica tem mais prazo para continuar a negociação com credores
A Braskem (BRKM5) protocolou na madrugada desta segunda-feira, 24, o pedido de recuperação extrajudicial, envolvendo dívidas de mais de US$ 10 bilhões, disseram fontes do Estadão Conteúdo e do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Vence nesta segunda o prazo de 60 dias de proteção contra credores obtido pela petroquímica . Com o pedido de recuperação extrajudicial protocolado, a empresa obtém mais 90 dias de proteção, durante os quais irá negociar com credores um plano de reestruturação final, com adesão de 50% mais 1.
Para protocolar o pedido de recuperação extrajudicial, é preciso a adesão de 33% dos credores. Até sexta-feira, 21, a Braskem ainda tentava chegar a um consenso com essa fatia de credores, entre os quais bancos e alguns detentores de títulos de dívida emitidos pela empresa no exterior ( bondholders ). As negociações, segundo fontes, seguiram pelo final de semana.
Da dívida de mais de US$ 10 bilhões , cerca de US$ 7 bilhões estão com bondholders . Esse é o grupo junto ao qual a Braskem enfrentou maior resistência à sua proposta inicial de somente alongar prazos e obter carência de pagamentos.
Na semana passada, a companhia conseguiu encaminhar a situação de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos , chamado de Chapter 11.
A empresa trouxe, como parte da proposta, um aporte da Braskem de US$ 476 milhões, dos quais aproximadamente US$ 126 milhões já haviam sido desembolsados antes do pedido de Chapter 11, e outros US$ 230 milhões devem ter desembolso no curto prazo. O restante será colocado na subsidiária mexicana em seis meses.
Já no Brasil, a petroquímica não pagou juros de suas dívidas dentro do prazo previsto e passou a ser considerada oficialmente inadimplente pela agência de classificação de risco Fitch Ratings na semana passada.
Como consequência, a nota de crédito da empresa caiu de "C" para "RD", sigla para Restricted Default (inadimplência restrita) — e pode diminuir ainda mais.
Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.
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