Se nem Maria da Penha está protegida da violência, quem está?
Em pleno mês de celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, o homem condenado pela tentativa de feminicídio contra Maria da Penha voltou ao centro do debate público e acabou novamente preso, desta vez em razão do descumprimento de determinações judiciais relacionadas ao processo pelo qual foi condenado.
Entre as restrições impostas estava a proibição de divulgar informações relacionadas ao processo, justamente em um contexto no qual uma entrevista concedida por ele seria levada ao público.
O episódio poderia ser tratado apenas como uma questão processual, mas seria um desperdício não enxergar aquilo que ele revela sobre a permanência da violência contra mulheres e sobre a dificuldade que ainda temos, como sociedade, de compreender que uma agressão não necessariamente termina quando o agressor deixa de estar fisicamente diante da vítima.
A pergunta que esse caso deveria provocar, portanto, é muito maior do que aquela relacionada à entrevista ou à decisão judicial: se nem Maria da Penha e suas filhas estão completamente protegidas dos efeitos da violência que sofreram, quem está? Maria da Penha não é uma mulher qualquer no debate sobre violência doméstica.
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