Mais de 11 mil esperam por psiquiatra no DF; fila tem pacientes desde 2019
Mais de 11 mil pessoas aguardam atendimento em psiquiatria na rede pública do Distrito Federal . Dados de julho mostram 11.441 solicitações de consulta em psiquiatria geral, com registros na fila que remontam a fevereiro de 2019. Entre os pacientes que esperam atendimento, 486 estão classificados como risco vermelho e 6.115 como amarelo.
A situação levou a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) , a recomendar que a Secretaria de Saúde (SES-DF) apresente um plano para ampliar a oferta de consultas e reorganizar a fila. O governo tem 60 dias para apresentar as medidas.
O levantamento, elaborado a partir de informações da própria SES, mostra ainda que a oferta de vagas não acompanha o volume de solicitações . Em julho, a tabela encaminhada ao Ministério Público registrava 88 vagas para uma fila de 11.441 solicitações. O documento não informa a periodicidade dessa oferta.
O caso mais antigo aparece na Região Sul, onde havia 1.906 solicitações e nenhuma vaga ofertada no levantamento. O primeiro registro pendente é de 14 de fevereiro de 2019. A Região Norte também aparece sem vagas para 2.425 solicitações, assim como a Sudoeste, que acumulava 1.393.
A maior fila, porém, estava na Região Leste. Eram 2.664 solicitações para 39 vagas. Na sequência aparecem Norte, com 2.425; Sul, com 1.906; Oeste, com 1.503; Sudoeste, com 1.393; Central, com 1.093; e Centro-Sul, com 457.
Para o Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP-DF), os números revelam um problema que ultrapassa a oferta de consultas psiquiátricas e alcança a estrutura da rede pública de saúde mental.
A presidente do CRP-DF, Juliana Sangoi, classifica o cenário como “extremamente preocupante” e afirma que uma espera que pode se prolongar por anos é incompatível com os princípios do cuidado integral, universalidade e equidade do Sistema Único de Saúde (SUS) .
Segundo o CRP-DF, o Distrito Federal possui 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em funcionamento, mas apenas 14 são habilitados pelo Ministério da Saúde. A cobertura dos Caps habilitados é de 0,54 por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional chega a 1,13.
“Não se trata simplesmente de colocar mais pessoas em uma fila ou de ampliar isoladamente o número de consultas psiquiátricas. É necessário fortalecer toda a Rede de Atenção Psicosocial (Raps ), com serviços territorializados, comunitários e articulados entre si”, afirma Sangoi.
A demora para acessar a rede, segundo a presidenta do Conselho, pode manter ou agravar situações de sofrimento psíquico que poderiam receber acompanhamento precoce e contínuo. A falta de atendimento no momento necessário também pode provocar descontinuidade do cuidado e aumentar a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência.
O CRP-DF aponta ainda um déficit de mais de 1,2 mil especialistas em saúde no DF. Na Secretaria de Saúde, segundo a entidade, atuam 286 psicólogos. A espera por uma consulta psicológica de adultos e crianças pode chegar a 943 dias.
A situação dos pacientes classificados como prioritários também preocupa o Conselho.
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