Entenda por que a Shein perdeu US$ 71 bi em valor antes de chegar à Bolsa de Hong Kong
A Shein vai finalmente chegar ao mercado acionário, mas em uma condição muito diferente daquela imaginada quando a varejista de moda rápida se transformou em um dos maiores fenômenos do comércio eletrônico mundial.
A companhia iniciou nesta segunda-feira, 24, o processo para sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Hong Kong.
Serão oferecidas 280 milhões de ações.
No limite superior, a operação movimentará cerca de US$ 1,77 bilhão (R$ 9,6 bilhões) e dará à empresa um valor de mercado próximo de US$ 27 bilhões (R$ 146,3 bilhões).
A estreia está prevista para 1º de setembro, depois que o preço definitivo da oferta for definido em 31 de agosto.
Será o maior IPO realizado em Hong Kong em 2026 até agora.
O número chama atenção principalmente pela distância em relação ao passado recente.
Continua após a publicidade Em 2022, uma rodada privada de investimentos avaliou a Shein em US$ 98,2 bilhões (R$ 532,2 bilhões).
Em 2023 e novamente em abril de 2024, a estimativa havia recuado para US$ 64 bilhões (R$ 346,9 bilhões).
Na oferta atual, portanto, a companhia chega ao mercado valendo cerca de US$ 71,2 bilhões (R$ 386 bilhões) menos do que no auge de 2022 — uma redução de aproximadamente 73%.
A diferença não é apenas consequência da piora do humor dos investidores.
Ela reflete uma mudança na percepção sobre o próprio negócio da Shein.
Continua após a publicidade O fim da era do crescimento acelerado Durante a pandemia, a empresa parecia ter encontrado uma fórmula quase imbatível: uma cadeia de fornecedores concentrada na China, produção em pequenos lotes, uso intensivo de dados para identificar tendências de consumo e lançamento constante de novos produtos.
A combinação permitiu vender roupas e acessórios a preços muito baixos para consumidores de cerca de 160 países, enquanto a empresa conseguia testar rapidamente quais produtos tinham demanda antes de aumentar a produção.
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