Resgates continuam no Nepal; China suspende operações diante de risco de nova avalanche
A China suspendeu temporariamente nesta sexta-feira (28) os trabalhos de resgate na região autônoma do Tibete, devido a um risco de nova tragédia no Himalaia. Uma devastadora avalanche de água, lama, rochas e gelo atingiu a região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete na quarta-feira, deixando um rastro de destruição que já soma pelo menos 472 mortos e mais de 1.400 desaparecidos.
O fenômeno destruiu vilarejos inteiros e arrastou estradas, pontes e instalações de projetos hidrelétricos. Entre os desaparecidos estão moradores, peregrinos e turistas estrangeiros de países como Índia, Ucrânia, Malásia, Reino Unido, Canadá e Austrália.
No Tibete, a situação se agravou com a suspensão temporária das operações de resgate em Gyirong. A decisão foi tomada depois que as autoridades identificaram uma grande retenção de água formada pela acumulação de detritos em altitude. O volume pode chegar a 3 milhões de metros cúbicos nos próximos dias, enquanto as chuvas contínuas elevam o nível da água e aumentam o risco de rompimento.
Segundo as autoridades chinesas, a água já começou a transbordar em direção a Gyirong. Um eventual rompimento da barreira poderia provocar uma nova inundação de grandes proporções nas áreas situadas rio abaixo. Diante do risco, as equipes de emergência receberam ordem para interromper os trabalhos e permanecer em áreas seguras.
Imagens de câmeras de segurança registraram a força da primeira onda, que atingiu o posto fronteiriço de Gyirong e, em poucos segundos, engoliu construções e pessoas. Cerca de 700 bombeiros, apoiados por drones e cães de busca, foram mobilizados na região.
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou que fossem utilizados todos os recursos disponíveis para localizar e resgatar os desaparecidos. Segundo as autoridades chinesas, 260 dos desaparecidos no Tibete são estrangeiros. Mais de mil moradores e turistas já haviam sido retirados da área atingida.
No Nepal, as operações de socorro enfrentam condições igualmente difíceis, agravadas pelo relevo montanhoso, pelas chuvas e pela destruição da infraestrutura. O exército mobilizou helicópteros para tentar retirar mais de uma centena de trabalhadores presos em um túnel de um projeto de barragem hidrelétrica no rio Trishuli. Cerca de 350 trabalhadores e moradores já haviam sido deslocados da região.
Um dos trabalhadores resgatados relatou que conseguiu sobreviver porque estava dentro de um dos túneis quando a onda de água e lama atingiu o canteiro de obras. Segundo ele, havia pelo menos 400 trabalhadores no local.
A origem exata do desastre ainda está sendo investigada, mas os primeiros dados apontam para o colapso de uma geleira e o desmoronamento de uma grande porção da montanha. A violência do fenômeno foi suficiente para gerar ondas sísmicas inicialmente registradas como um terremoto de magnitude 5,2.
Segundo especialistas, a massa de gelo, rochas e detritos teria bloqueado temporariamente o curso de um rio, formando uma barragem natural.
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