Do funk ao silêncio: como foi a noite em que Flávio viu a vitória de Lula
O senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu uma suntuosa casa no Lago Sul, bairro mais nobre de Brasília, para acompanhar o resultado do segundo turno das eleições. No local, bandeiras verdes, telões e um palco foram instalados com o objetivo de celebrar a ascensão do primogênito de Jair Bolsonaro à Presidência da República.
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Sob total euforia, aliados do candidato, já chamado de presidente, oscilavam gritos, fogos de artifício e a batida de funk que virou o jingle da campanha do senador. Ao mesmo tempo, apoiadores e integrantes da campanha bradavam: "O Flávio vem aí e o bicho vai pegar".
Era o que se escutava do lado de fora da casa, que ficou tomado pela fumaça da churrascada e por inúmeros de jornalistas, nacionais e internacionais, que foram organizados em um cercadinho - estava previsto que a imprensa entraria apenas para pegar o discurso do novo presidente eleito.
Enquanto isso, do lado dentro, estavam Flávio e aliados como o vice Alfredo Gaspar, o governador Tarcísio de Freitas e o ex-coach Pablo Marçal. Eram 19h46 da noite de domingo, e o senador do PL aparecia à frente de Luiz Inácio Lula da Silva na contagem de votos.
Os apoiadores acompanhavam a transmissão por um canal de televisão em altíssimos decibéis. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) entoava de tempos em tempos gritos de apoio ao senador por meio de um microfone: "Vai pra cima deles, Flávio".
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Pouco a pouco, porém, foi ficando claro que a festa começou antes da hora. Por volta das 20h, Lula retomou a liderança na apuração de votos e às 20h30 já não era mais possível ouvir uma voz vindo de dentro da casa onde estava toda a campanha de Flávio Bolsonaro.
Do lado de fora, ouvia-se apenas o barulho estridente das cigarras, inseto comum nessa época do ano em Brasília. Também não havia mais o fumaceiro do churrasco.
Antes mesmo de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar o resultado das eleições, apoiadores e membros da campanha de Flávio começaram a ir embora, em um silêncio absoluto, exceto um homem que tirou a camisa verde e amarela e saiu esbravejando que o "Nordeste é o câncer do Brasil".
Ao UOL , um parlamentar que acompanhava a votação afirmou que o clima era de "perda de campeonato" e que o candidato ficou "arrasado" com o resultado. Segundo ele, o evento para acompanhar a apuração contou com centenas de pessoas, mas o grupo político de Flávio ficou em uma área reservada dentro do imóvel.
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