Agentes de IA poderão movimentar seu dinheiro? Tecnologia começa a se encontrar com o mundo cripto
A inteligência artificial pode estar prestes a dar um grande passo dentro do mercado financeiro: deixar de apenas responder perguntas e passar a movimentar dinheiro em nome do usuário.
E ainda: esse avanço começa a se cruzar com a criptoeconomia, universo que ainda pode parecer um bicho de sete cabeças para muita gente.
Com a integração entre agentes de IA e stablecoins -- as criptos lastreadas a moedas fiduciárias, principalmente dólar --, operações que hoje exigem uma série de etapas e conhecimentos técnicos poderão ser feitas a partir de comandos simples, como pedir para pagar uma pessoa ou empresa com uma conta no exterior.
A tecnologia necessária para isso já existe e pode começar a chegar ao consumidor em menos de um ano, segundo Carlos Russo, CEO da Bloquo, empresa especializada em operações de câmbio com stablecoins.
Em entrevista ao Valor Investe durante o Febraban Tech, ele afirmou que espera ver diversos casos de uso combinando agentes de IA e criptoativos em 2027.
Na prática, esses agentes funcionariam como uma espécie de assistente pessoal capaz não apenas de orientar o usuário, mas de executar a operação.
Ao receber uma ordem para fazer um pagamento nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema poderia converter reais em dólares digitais e realizar a transferência para o destinatário.
Hoje, quem pretende fazer um pagamento internacional usando stablecoins pode precisar abrir conta em uma corretora de criptoativos, comprar o ativo, eventualmente transferi-lo para uma carteira própria e aprender a realizar e conferir uma transação.
Para Russo, essa complexidade ainda é uma barreira para a popularização da tecnologia.
Com um agente de IA conectado à conta ou à carteira do usuário, parte dessas etapas poderia ser automatizada.
O cliente poderia, por exemplo, enviar uma cobrança e pedir que o agente calculasse o valor, fizesse a conversão e realizasse o pagamento.
E se a IA fizer besteira? Dar a um software autonomia para movimentar dinheiro, porém, cria uma questão óbvia: como impedir que o agente faça uma transferência errada ou execute uma ordem que não deveria? Russo avalia que a adoção desse tipo de ferramenta terá de vir acompanhada de limites para as operações e mecanismos adicionais de confirmação.
As instituições que receberem ordens de agentes de IA também precisariam ser capazes de identificar movimentações incompatíveis com o comportamento habitual do cliente.
Um exemplo é o conhecido “dedo gordo”: o usuário pretende transferir R$ 500, mas, por engano, dá uma ordem de R$ 5 mil ou R$ 50 mil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.