IRB, seis anos depois
Em março de 2020, quando avaliei o caso IRB pela primeira vez em um documento da Amec, a crise ainda estava em curso.
A companhia havia se tornado uma das poucas grandes empresas brasileiras com capital pulverizado e enfrentava um conflito pouco usual por aqui, envolvendo acionistas e administradores.
Naquele texto, defendi uma apuração cuidadosa das responsabilidades, com tempo adequado e respeito ao direito de defesa.
O episódio havia começado poucas semanas antes com uma provocação incomum para o mercado local.
A Squadra, gestora conhecida pela profundidade da análise fundamentalista e por uma visão de investimento de longo prazo, tornou público um extenso trabalho sobre o IRB.
A casa mantinha posição vendida, apostando na queda dos preços nas ações, e questionava práticas contábeis relacionadas aos resultados da resseguradora.
Esse aspecto chamou bastante atenção na época.
Um certo ativismo de investidores em posições vendidas ainda era pouco frequente no Brasil e a crítica da gestora vinha acompanhada de argumentos detalhados colocados à disposição de todo o mercado.
Para uma companhia recém-chegada a uma estrutura de capital mais dispersa, aquela pressão também testava a capacidade de administradores e conselheiros de responder a acionistas sem a mediação de um controlador.
A comunicação logo se tornou parte central da crise.
O IRB realizou conversas privadas com participantes do mercado em meio aos questionamentos sobre seus números.
No documento da Amec, registrei a preocupação com a ausência de manifestações públicas claras e centralizadas e com a preferência por calls privados naquele ambiente.
Essas conversas aumentavam as dúvidas sobre o que diferentes investidores estavam ouvindo da companhia.
Pouco depois surgiu o episódio que ficaria mais conhecido.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.