Luto antecipatório: o desafio de gestar enquanto se enfrenta a possibilidade da perda
Quando se fala em gravidez, a imagem mais comum é a de uma mulher preparando o enxoval, organizando o quarto e aguardando a chegada de um bebê saudável.
Mas nem todas as gestações seguem esse roteiro.Para algumas mulheres, a descoberta da gravidez vem acompanhada, ainda durante o pré-natal, de um diagnóstico grave ou de um prognóstico reservado para o bebê.
A partir daí, a gestação passa a ser atravessada por sentimentos que podem parecer contraditórios: amor e medo, esperança e angústia, expectativa e luto.No mês da gestante, com data oficial celebrada em 15 de agosto, também é necessário olhar para as mães cujas histórias fogem do cenário idealizado da gravidez.“O roteiro perfeito” foi interrompidoA psicóloga, autora e fundadora do Instituto Vida Maria, Laís Cabalero, viveu essa experiência.
Na 12ª semana de gestação, recebeu um diagnóstico grave sobre a filha, Maria, que mudo completamente sua experiência.“Receber o diagnóstico na 12ª semana foi como ver o "roteiro perfeito" ser rasgado.
A neurociência explica que o cérebro entra em um estado de confusão neurobiológica: o corpo se prepara para nutrir, enquanto a mente precisa processar a despedida.”Diante da possibilidade de perder a filha, Laís decidiu não reduzir Maria ao diagnóstico.“Eu precisei escolher entre a "lente da biologia", que chamava minha filha de "inviável", e a lente da fé, que me mostrava que ela tinha uma missão na terra.
Decidi que Maria não seria um diagnóstico, mas minha filha amada enquanto seu coração batesse e a sua voz ecoaria como um legado.” Maria nasceu em 22 de março de 2020 e viveu por 20 minutos.
“E talvez uma das coisas mais importantes que eu tenha aprendido seja que vinte minutos não determinam o tamanho de uma maternidade.”Para Laís, a maternidade começou ainda durante a gestação e não terminou com a morte da filha.
Eu fui mãe de Maria durante toda a gestação.
Fui mãe enquanto esperava.
Fui mãe enquanto tive medo e angústia.
Fui mãe enquanto a segurava nos braços.
E continuo sendo mãe dela depois de sua partida.
O luto antes mesmo da despedidaSegundo Laís, quando existe a possibilidade concreta de uma perda, a mulher pode começar a vivenciar o chamado luto antecipatório.
Ela continua criando vínculo com o bebê, imaginando o futuro e vivendo a maternidade, mas simultaneamente precisa lidar com a possibilidade da despedida.“Enquanto a vida crescia dentro de mim, eu precisava conviver com as possibilidade da morte, essa é a verdadeira dualidade entre a vida e a morte.”Segundo Laís, é possível amar profundamente um bebê e, ao mesmo tempo, sentir medo de perdê-lo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.