Desinteresse pelo Legislativo fortalece máquinas eleitorais e grupos organizados
A eleição para deputado estadual ou federal parece distante da preocupação de grande parte do eleitorado.
Pesquisa de opinião pública mostra que mais de 80% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar para esses cargos.
O número, a esta altura da campanha, não deve ser tratado apenas como indecisão.
É também um sinal preocupante do pouco interesse por uma escolha que terá consequências pelos próximos quatro anos.
O paradoxo é evidente.
O eleitor acompanha a disputa para presidente, governador e prefeito, discute pesquisas, partidos e candidatos, mas muitas vezes deixa para os últimos dias — quando não para as últimas horas — a decisão sobre quem ocupará o Legislativo.
É um erro que custa caro.
Deputados estaduais e federais não são personagens secundários da democracia.
Eles fazem leis, votam orçamentos, fiscalizam governos, aprovam ou rejeitam projetos, participam de comissões, decidem sobre impostos e influenciam diretamente a aplicação de bilhões de reais arrecadados da população.
Na Assembleia Legislativa, deputados têm poder para fiscalizar o governo estadual e decidir sobre matérias que atingem diretamente a vida da população.
Na Câmara dos Deputados, passam decisões nacionais sobre economia, segurança, saúde, educação, impostos, direitos sociais e praticamente todas as grandes questões do País.
Mesmo assim, parcela expressiva dos brasileiros chega à eleição sem saber quem escolher para essas funções.
Mais grave: depois de algum tempo, muitos sequer conseguem lembrar em quem votaram.
E quem ganha com esse esquecimento? Certamente não é a democracia.
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