Fed sinaliza juros mais altos, Brasil aponta para cortes: quem manda no Ibovespa?
Os olhares dos mercados apontavam para apenas uma direção nesta sexta-feira (28): Jackson Hole.
Era lá, no tradicional simpósio anual do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que Kevin Warsh faria sua estreia num palco carregado de expectativa.
Desde que assumiu a presidência do Fed, em maio, Warsh vinha sendo cobrado por um problema específico: suas duas primeiras coletivas de imprensa deixaram o mercado sem entender direito o que ele realmente pensava sobre os próximos passos dos juros.
E essa ambiguidade, que ele defende como filosofia deliberada de comunicação, tinha um custo: operadores vendendo títulos de longo prazo simplesmente por não saberem o que esperar.
Warsh pareceu decidido a resolver isso.
Não anunciando uma decisão, mas deixando claro qual é sua leitura sobre a inflação.
Ele reafirmou o compromisso do Fed com a meta de 2% e foi mais longe do que em aparições anteriores ao detalhar os números que o preocupam.
54% dos componentes do índice de preços PCE rodaram acima de 3% nos últimos 12 meses, e quase metade nos últimos seis.
"Nenhuma dessas medidas é perfeita, mas todas contam uma história semelhante: a inflação está acima da nossa meta", resumiu.
Reconheceu que os dados recentes vieram um pouco melhores do que o esperado, mas fez questão de dizer que isso ainda não é evidência de que a tendência melhorou.
É uma mensagem bem diferente da que o mercado ouviu no mesmo palco há um ano, quando Jerome Powell usou Jackson Hole para sinalizar cortes de juros e provocou um rali em Wall Street.
Desta vez, o tom foi o oposto.
Warsh manteve a recusa em dar sinais sobre o que fará - "não chame isso de forward guidance", ironizou -, mas deixou claro o suficiente para que o mercado entendesse o recado nas entrelinhas.
E o mercado entendeu.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.