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O supertúnel de 7,2 metros escavado sob Londres que consegue armazenar mais de 1,5 bilhão de litros durante tempestades

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O supertúnel de 7,2 metros escavado sob Londres que consegue armazenar mais de 1,5 bilhão de litros durante tempestades

A gigantesca infraestrutura subterrânea intercepta o excesso da rede de esgoto londrina durante chuvas e ajuda a impedir a poluição do rio Tâmisa

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Debaixo de uma das cidades mais densas e antigas da Europa existe agora uma nova artéria subterrânea capaz de receber volumes gigantescos de esgoto misturado à chuva. O Thames Tideway Tunnel atravessa 25 quilômetros de Londres e foi construído para impedir que tempestades continuem despejando enormes quantidades de poluição diretamente no rio Tâmisa.

Grande parte da rede de esgoto central de Londres foi concebida no século XIX como um sistema combinado, no qual águas residuais e chuva percorrem a mesma infraestrutura. Quando chuvas aumentavam rapidamente o volume, pontos de extravasamento liberavam a mistura excedente no Tâmisa para impedir que a rede urbana entrasse em colapso.

O novo túnel funciona como uma enorme rota subterrânea de armazenamento e transferência. Em vez de simplesmente deixar o excesso chegar ao rio, ele intercepta diversos desses pontos e conduz o fluxo através do sistema até instalações de tratamento. Desde fevereiro de 2025, a estrutura está totalmente conectada e operacional.

O túnel principal possui 25 quilômetros de extensão e chega a aproximadamente 7,2 metros de diâmetro, e não aos 20 metros mencionados em algumas descrições virais. Ele começa a cerca de 31 metros de profundidade e desce progressivamente até aproximadamente 66 metros perto de Abbey Mills.

O vídeo oficial “Testing the tunnel, how does the Super Sewer work?”, publicado pela Tideway, mostra justamente como o sistema recebe os fluxos, como os novos túneis se conectam à rede antiga e de que maneira a infraestrutura foi testada antes da operação completa.

Quatro grandes tuneladoras foram utilizadas no túnel principal, enquanto outras duas máquinas trabalharam nos túneis de conexão. Essas TBMs avançavam pelo subsolo enquanto instalavam segmentos de concreto atrás da cabeça de corte, formando progressivamente o revestimento da passagem subterrânea.

O desafio não era apenas perfurar solo. A rota atravessava Londres profundamente abaixo de ruas, edifícios, pontes e outras infraestruturas urbanas. Por isso, levantamento geológico, monitoramento e controle da escavação foram fundamentais para executar uma obra dessa escala em uma cidade que continuava funcionando na superfície.

O sistema formado pelo novo Tideway e pelo já existente Lee Tunnel oferece capacidade conjunta de aproximadamente 1,6 milhão de metros cúbicos. Isso equivale a cerca de 1,6 bilhão de litros disponíveis para absorver fluxos que anteriormente poderiam terminar no Tâmisa durante períodos de chuva intensa.

Segundo a Tideway , o túnel é uma estrutura de armazenamento e transferência, portanto não funciona como uma cisterna destinada a guardar permanentemente água de tempestade. O conteúdo permanece temporariamente no sistema e depois segue para a rede de tratamento.

A enorme capacidade funciona como uma margem de segurança para a rede. Em setembro de 2024, quando apenas parte das conexões estava ativa, o sistema conjunto capturou 589 mil metros cúbicos em um único dia de chuva intensa.

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