‘Continuará ruim’: como vitória de Lula e fuga de Flávio impactam relação Brasil-EUA, para a Eurasia
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos , após a derrota do candidato nas urnas no último domingo (25), trouxe de volta à mesa dos investidores o temor de novos atritos político-econômicos na relação já fragilizada entre Brasil e o governo de Donald Trump.
Para a cientista política Julia Thomson , da consultoria Eurasia Group , existe o risco de os EUA de fato “não aceitarem bem o resultado eleitoral”.
O silêncio do presidente norte-americano sobre a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durou cerca de 24 horas e, quando comentou o resultado, o chefe da Casa Branca afirmou que “pareceu mais uma eleição fraudada”.
Washington, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre o pleito.
Na visão da analista da Eurasia, o “silêncio” demorado de Trump já era esperado, ainda que o republicano venha “dando sinais de que quer deixar a porta aberta para diálogo com Lula”.
Para ela, pouca coisa deve mudar na diplomacia entre Brasília e Washington e a tendência é de acomodação das relações bilaterais, em um patamar mais desfavorável ao Brasil e “conturbada” com as tarifas já impostas sobre os produtos brasileiros.
“A relação continuará ruim.
Podemos ter alguns ruídos iniciais, mas não espero necessariamente uma escalada prolongada, com novas medidas, sanções e ações contra o Brasil.” Sem acordo tarifário no horizonte Na avaliação de Julia, não há, neste momento, um caminho para um acordo entre Trump e Lula que resulte em redução das tarifas.
“Existe um nível muito elevado de desconfiança do governo brasileiro em relação aos EUA, o que dificultaria a realização das concessões necessárias para um entendimento comercial”, afirma.
Assim, mesmo que haja conversas entre os presidentes, a Eurasia não considera que isso necessariamente resultará em uma solução para as disputas comerciais.
“A tendência é de acomodação em um patamar desfavorável, semelhante ao atual.
As tarifas devem continuar, assim como as sanções contra o ministro do Supremo [Alexandre de Moraes] e as restrições de vistos impostas a integrantes do governo brasileiro”, afirmou a analista.
A mesma dificuldade, na visão dela, se aplica a um possível acordo no setor de minerais críticos.
“O governo brasileiro também acredita que pode avançar diplomaticamente nas relações com outros países, o que reduz a necessidade de fazer concessões aos norte-americanos.” Mais um ponto de incerteza Outro principal ponto de incerteza nas relações entre Brasil e EUA é a representação diplomática.
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