Christopher Garman: Se próximo presidente mantiver até R$ 60 bilhões em emendas, Câmara aprovará reformas propostas
Christopher Garman , diretor-executivo para Américas da Eurasia Group , tem uma “visão construtivista”, segundo ele próprio, sobre o rito de aprovação das reformas econômicas pelo Congresso no primeiro ano do próximo governo.
Independente de quem vencer as eleições 2026 – muito provavelmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou senador Flávio Bolsonaro (PL) -, ambos conseguirão colocar propostas ousadas sob a mesa e vê-las aprovadas no Legislativo.
Para isso, basta manter a liberação anual de R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões em emendas parlamentares, ou seja, retirar esse valor do ajuste fiscal e dos cortes na reforma proposta.
“A Câmara vai manter as emendas R$ 50 bilhões entre a R$ 60 bilhões e o governo vai ter de atacar os gastos obrigatórios”, disse Garman durante 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo (SP).
Com isso, segundo ele, se o governo quiser um ajuste maior nos gastos públicos é só levar o problema para os congressistas e dizer que, caso não concordem, terão de cortar na própria carne.
Ou seja, cortar as emendas.
“A Câmara, por interesse próprio, fará a reforma”, afirmou durante painel coordenador por Carlos Nepomuceno, head de análise política do Santander .
De acordo com o diretor-executivo da Eurasia, o fato de reformas constitucionais terem menos rejeição da população no passado recente e a boa relação que o próximo presidente deve ter com o ou a presidente do Senado e Congresso, são outros dois fatores que ajudarão o governo no Legislativo.
Garman avalia que o índice de reeleição na Câmara será o mais alto desde democratização, acima dos tradicionais 40%, e que, acostumados, deputados e deputadas vão querer manter a política de emendas parlamentares quase impositórias.
“Para Lula ou Flávio, a reforma fiscal vai ser atrelada às emendas”, reforçou.
Segundo ele, Flávio Bolsonaro tem uma agenda econômica mais encorajadora e deve conseguir aprovar um choque fiscal no primeiro ano primeiro, seguido de uma agenda reformas ao longo de um eventual governo.
Lula trará um cenário mais conservador, conseguirá trabalhar com o Legislativo no primeiro ano de um eventual quarto mandato, mas é improvável que apresente uma agenda fiscal robusta capaz de reduzir juro real.
Chance de reeleição e voto sem calcificação Garman mantém a previsão de que Lula tem 60% de chances de ser reeleição, baseada em dados da aprovação do atual governo, de 44% a 47% que, globalmente, garante a manutenção de poder para 78% dos mandatários.
“Nenhum incumbente com taxa de 45% perdeu eleições na América Latina nos últimos anos.
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