Superávit de R$ 18,6 bilhões ou rombo de R$ 86,1 bilhões? Governo e IFI divergem sobre contas de 2027
A Instituição Fiscal Independente ( IFI ) vê um cenário bem mais custoso para as contas públicas em 2027 do que aquele desenhado pelo governo federal no projeto de Orçamento enviado ao Congresso no fim de agosto.
Enquanto o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões , equivalente a pouco mais de 0,1% do Produto Interno Bruto ( PIB ), a IFI projeta um déficit de R$ 86,1 bilhões para o governo central.
A distância entre as duas estimativas chega a R$ 104,8 bilhões .
Os números constam do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) nº 116 , de setembro, no qual a instituição analisa as premissas utilizadas pelo governo para montar o Orçamento do próximo ano.
Para os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, boa parte da diferença está nas projeções macroeconômicas adotadas pelo Executivo, consideradas mais otimistas pela instituição.
“O PLOA 2027 ancora-se em uma projeção de expansão do PIB de 2,5%, a IFI projeta um crescimento de 1,8% e o Boletim Focus, 1,5%.
Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas”, afirmam em relatório.
A estimativa de crescimento da IFI para 2027, de 1,8%, também consta das projeções divulgadas pela própria instituição.
De onde vem a diferença de R$ 104,8 bilhões? Um crescimento mais forte da economia tende a ampliar a arrecadação do governo.
Por isso, diferenças aparentemente pequenas nas projeções de PIB podem produzir impactos relevantes nas receitas esperadas para o ano.
Além do crescimento econômico, há divergências em outros parâmetros usados para construir o Orçamento.
O governo trabalha com inflação de 3,6% em 2027 , enquanto a IFI estima 4,0% .
Para a massa salarial, importante para a arrecadação previdenciária, o Executivo considera crescimento de 10,1% , ante 7,3% projetados pela IFI .
As diferenças não ficam restritas às receitas.
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