Quando a tecnologia também reconhece o pai como cuidador
Nas últimas décadas, em diferentes partes do mundo, a forma como a paternidade é compreendida, representada e vivenciada vem mudando.
A visão tradicional do pai como provedor, pouco envolvido nas tarefas cotidianas e no cuidado dos filhos, é cada vez mais questionada.
No Brasil, esse movimento também ganhou espaço nas políticas públicas.
Em 2016, o Ministério da Saúde criou a Estratégia Pré-Natal do Parceiro (EPNP), voltada a ampliar a participação paterna no planejamento reprodutivo, na gestação, parto, puerpério e no desenvolvimento da criança.
A estratégia também aproveita esse contato para promover o cuidado com os próprios homens, com ações de vacinação, testes rápidos e exames.
Com notícias da Anvisa e da ANS, o JOTA PRO Saúde entrega previsibilidade e transparência para empresas do setor Na prática, porém, a participação dos pais ainda tende a se concentrar nos primeiros cuidados com o bebê.
Essas ações são importantes, mas não esgotam o que significa exercer uma paternidade ativa.
É preciso, então, perguntar se a forma como o sistema de saúde brasileiro aborda a paternidade promove, de fato, um envolvimento contínuo com o cuidado ou se ainda o restringe a momentos pontuais da assistência.
À medida que os sistemas de saúde se tornam mais digitais, essa pergunta ganha uma nova dimensão.
Saúde digital pode facilitar participação paterna Em muitas interações com os serviços de saúde, é a mãe quem leva a criança à consulta, recebe as informações, se comunica com os profissionais e depois administra o cuidado.
Ampliar a participação paterna significa redistribuir responsabilidades e ampliar o grupo de pessoas reconhecidas pelo sistema como sujeitos do cuidado, sem retirar das mulheres a autonomia sobre sua própria saúde ou presumir que todos os arranjos familiares funcionam da mesma maneira.
Há também barreiras concretas à participação.
Jornadas de trabalho incompatíveis com o horário das unidades e dificuldades de acesso, especialmente em áreas mais distantes, podem dificultar o acompanhamento das consultas.
Um estudo com 32 casais atendidos no pré-natal em um município do norte de Mato Grosso constatou que 70% dos pais desejavam acompanhar as parceiras às consultas, embora nenhum tenha comparecido a todas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.