Remuneração do assessor com taxa fixa pode ter cobranças escondidas também
Nos últimos anos, ficou mais comum que os investidores possam decidir como desejam pagar pelos serviços de distribuição e assessoria de investimentos: comissões pagas pelos produtos vendidos ou uma taxa fixa anual paga sobre o valor total investido.
O modelo da taxa fixa frequentemente é oferecido como sendo mais livre de conflitos de interesses, mas participantes do mercado alertam que esse modelo pode ter também cobranças escondidas.
Na análise de Tatiana Itikawa, superintendente de representação de mercados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o avanço do modelo de taxa fixa é bom, mas dependendo de como evoluir na indústria de investimentos, pode ser ruim.
“A indústria não pode apresentar um modelo de remuneração melhor para ela ganhar dinheiro no curto prazo, mas que não bote no centro o investidor”, afirmou no congresso internacional da Associação Brasileira do Planejamento Financeiro (Planejar), realizado nesta quinta-feira (17) em São Paulo.
Segundo Itikawa, a Anbima está debatendo como melhorar o entendimento dos clientes sobre os modelos de remuneração e como responsabilizar as casas que não estão adotando as melhores práticas de governança.
“Os processos das casas ainda são bastante distintos.
Precisamos ter uma base ética mais forte para a remuneração ser a melhor para cada cliente”, disse.
“Estamos estudando como mitigar os conflitos de interesses.
Tem como ganhar dinheiro fazendo um trabalho bem feito”, acrescentou.
Na avaliação de Juliana Laham, chefe global de soluções de investimentos do Bradesco e membro do conselho de administração da Planejar, os modelos de taxa fixa e de comissão coexistirão.
Uma mesma pessoa pode usar ambos os modelos.
“Mas independentemente da forma como o cliente é cobrado, a transparência é o mais importante.
O cliente precisa saber como está sendo cobrado”, afirmou.
“A falta de transparência é um risco que existe em ambos os modelos.
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