Brasileiro investiu mais em crédito privado do que deveria, alertam especialistas
As carteiras dos investidores estão com mais aplicações de crédito privado do que deveriam, alertaram analistas, distribuidores e gestores em um painel durante um congresso da Associação Brasileira do Planejamento Financeiro (Planejar), realizado nesta quinta-feira (17) em São Paulo.
“O crédito não pode ser a única classe de ativos nas carteiras.
Os investidores precisam dosar melhor os portfólios”, afirmou Fayga Delbem, chefe de crédito na Itaú Asset.
Na análise dela, cabe aos participantes do mercado se anteciparem e fazerem um monitoramento de riscos constante para ajudar os clientes a se proteger.
“As companhias mentem.
Precisamos olhar os ativos com desconfiança, não aceitar de cara os materiais que recebemos e nos perguntar por que uma empresa paga um retorno maior”, afirmou.
“Aos investidores, aconselho escolher os gestores e planejadores financeiros com cuidado, analisar se as instituições têm estrutura para fazer o monitoramento dos riscos de crédito e se os incentivos recebidos estão alinhados aos seus objetivos”, disse.
Na avaliação de Marilia Fontes, sócia-fundadora e analista de renda fixa na Nord Research, o investidor pessoa física exagerou nas aplicações em crédito privado.
“Recebemos carteiras completamente travadas em produtos de prazos longuíssimos e liquidez baixa.
Houve um incentivo exagerado para os investidores migrarem para produtos de crédito, com a bolsa e os fundos multimercados patinando nos últimos anos.
Agora, precisamos corrigir os exageros”, afirmou.
Ela chamou a atenção que o crédito privado tem liquidez muito variável.
Em qualquer revés no mercado, a liquidez desaparece completamente.
Assim, aconselha os investidores a tomarem muito cuidado com crédito e investir uma parcela pequena do portfólio nessas aplicações.
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