A bolha estourou? Brasil convive com janela mais pobre e transfer bans
A era de sucessivas quebras de recordes de contratação mais cara da história e de reforços do nível de Memphis Depay, o maior artilheiro da história da seleção holandesa, e de Lucas Paquetá, que ainda era um nome importante da milionária Premier League inglesa, chegou ao fim. Ou, pelo menos, deu um tempo.
Na atual janela de transferências, o futebol brasileiro não tem mais se comportado como aquele rico que de comprando tudo o que deseja sem se preocupar muito com o preço. Pelo contrário.
Até a última sexta-feira, os 20 clubes da Série A haviam investido juntos um total de 80,2 milhões de euros (R$ 486,4 milhões) em novos jogadores neste Mercado da Bola de meio de ano (julho/agosto e setembro).
Trata-se de uma retração de 61,7% na comparação com o recorde de 209,5 milhões de euros (quase R$ 1,3 bilhão) que foram gastos com reforços no mesmo período da temporada passada.
É verdade que a janela no Brasil ainda tem quase um mês pela frente (vai até 11 de setembro). No entanto, são fortes os indícios de que o volume de negócios não crescerá tanto assim.
Para começar, os dois clubes mais ricos do país parecem já ter encerrado suas atividades nesta edição do Mercado da Bola. E sem terem conseguido contratar as peças que mais desejavam.
O Palmeiras foi incapaz de conseguir convencer o Botafogo a lhe vender o meia Danilo Santos, cria da base alviverde. O Flamengo, por sua vez, perdeu Thiago Almada para o River Plate e achou caro demais o pedido financeiro feito pelo Zenit São Petersburgo para liberar Luiz Henrique.
Outros times importantes do cenário nacional, como Corinthians, Santos e São Paulo, estão sob efeito de transfer bans ou ameaçados de serem proibidos de registrar novos jogadores justamente por não terem quitados dívida provenientes de outras transações.
"O que aconteceu nos últimos anos é que vivemos uma bolha, que aparentemente começou a estourar. Ela ainda não estourou 100%, mas [os valores] reduziram muito porque estavam lá nas alturas", afirma Amir Somoggi, diretor da consultoria.
Segundo o especialista em marketing esportivo, Flamengo e Palmeiras provocaram uma inflação no mercado nacional nos últimos anos porque arrecadaram muito dinheiro com venda de jogadores e reinvestiram o que faturaram em jogadores melhores e mais caros.
Outros clubes, na tentativa de não ficarem para trás, gastaram o que não tinham e se endividaram. Contribuiu também para esse processo a alavancagem das SAFs, como Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Vasco, que usaram um dinheiro que não existia no orçamento original dos clubes e que saiu diretamente das contas dos seus proprietários.
"Foi um movimento artificial de crescimento do futebol brasileiro. Uma coisa é certa: os clubes brasileiros estão extremamente dependentes da venda de jogadores. Quando vendem, têm dinheiro para contratar.
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