Família compra apartamento com duas vagas de garagem, utiliza os espaços durante quatro anos e depois descobre que uma delas pertence a outro morador
Documentos da compra indicavam dois espaços, mas uma atualização do condomínio abriu conflito entre uso prolongado e registro imobiliário.
O contrato prova que o vendedor prometeu dois espaços, mas não torna a família dona de uma vaga registrada em nome de terceiro. O registro indica o titular até eventual correção, transferência ou decisão judicial.
Quatro anos de uso também não alteram automaticamente a titularidade. A família pode ter direitos contra quem vendeu o apartamento, enquanto o outro morador pode pedir a desocupação se comprovar direito exclusivo sobre o espaço.
Em condomínio, a vaga pode ser unidade autônoma com matrícula própria, direito acessório do apartamento ou área comum com uso definido pela convenção. O Superior Tribunal de Justiça reconhece essas três possibilidades e seus efeitos diferentes.
A certidão atualizada da matrícula do apartamento informa se existe vaga vinculada e qual é sua identificação. Se o espaço for autônomo, é preciso localizar a matrícula separada e conferir proprietário, número e eventuais ônus.
A escritura, o compromisso de compra, o memorial de incorporação, a convenção e a planta da garagem ajudam a interpretar a descrição. O cadastro do condomínio pode indicar uso ou rateio, mas não corrige sozinho um registro incompatível.
Se o vendedor contratou duas vagas sem poder transferir a segunda, pode existir inadimplemento contratual . Conforme as provas, a família pode discutir regularização, cumprimento da oferta, abatimento do preço, indenização ou resolução do negócio, sem atingir o verdadeiro titular.
Se a venda partiu de construtora ou fornecedor profissional, o material comercial pode ter relevância pelo direito do consumidor. Entre particulares, a análise tende a se concentrar no Código Civil, na escritura e nas declarações do vendedor.
O primeiro passo é pedir certidões no Registro de Imóveis e declaração formal do condomínio, sem confrontar o outro morador apenas com o contrato. Também é importante comunicar o vendedor por escrito e solicitar documentos sobre a divergência.
Se o erro estiver apenas no cadastro interno, a solução pode ser administrativa. Se a matrícula confirmar terceiro proprietário e não houver acordo, a família precisará avaliar medida contra o vendedor, preservar provas e observar os prazos do pedido escolhido.
Também vale visitar a garagem, conferir a numeração, pedir a planta e perguntar ao síndico se existem disputas. A entrega das chaves não encerra essa checagem: a segurança do negócio depende de documentos coerentes e da correta transferência registral.
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