MS Sem Fronteiras: a China do pragmatismo à inovação
“Quem não pensa no que está distante encontrará preocupações bem perto.” A reflexão de Confúcio ajuda a compreender um traço da China contemporânea: sua capacidade de olhar adiante e transformar planejamento em resultados.
Foi com essa impressão que retornei da missão do Sistema FIEMS a Guangzhou, realizada em outubro de 2026, durante a primeira fase da Canton Fair.
Para compreender a dimensão dessa experiência, é preciso conhecer a feira.
Criada em 1957, ainda no governo de Mao Tsé-Tung, a Canton Fair surgiu em um período de isolamento internacional, como instrumento de aproximação comercial com o exterior.
Realizada duas vezes por ano, tornou-se uma das maiores vitrines da produção chinesa, um verdadeiro showroom do que a indústria do país é capaz de oferecer ao mundo.
Essa trajetória antecede as reformas de Deng Xiaoping, iniciadas no fim da década de 1970.
É dele a frase que se tornou símbolo do pragmatismo chinês: “Não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace ratos.” Mais do que uma provocação, a ideia traduz uma escolha pela eficácia, pela adaptação e pelos resultados.
Esse pragmatismo permanece presente na estratégia industrial do país.
Lançado em 2015, durante o governo de Xi Jinping, o Made in China 2025 buscou elevar o padrão tecnológico da manufatura chinesa, com prioridade para robótica, equipamentos avançados e veículos de nova energia.
A ambição já não é produzir apenas em grande escala, mas liderar segmentos de maior valor agregado.
Na Canton Fair, pudemos observar essa mudança de perto.
O pavilhão de robótica mostrou soluções que aproximam automação e inteligência artificial da rotina industrial.
Nos espaços dedicados aos automóveis, chamou a atenção a sofisticação dos veículos e a diversidade de fabricantes chineses, muitos ainda pouco conhecidos no Brasil.
A China que encontramos investe em tecnologias próprias e disputa a liderança de novos mercados.
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