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A companheira de Betelgeuse e suas implicações

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A companheira de Betelgeuse e suas implicações

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Um grupo internacional de astrônomos encontrou evidências conclusivas de que a famosa estrela Betelgeuse tem uma companheira. Com ela, vêm uma boa e uma má notícia. A boa é que o achado ajuda a explicar uma estranha variação de brilho observada há décadas. A má é que a nossa expectativa de que ela possa se tornar uma espetacular explosão de supernova em breve cai a quase zero.

O trabalho , publicado no periódico Astronomy & Astrophysics, é um daqueles exemplos de livro didático do poder preditivo da ciência , e ao mesmo tempo das surpresas que ela traz. Estudo publicado em 2024 concluiu de forma convincente que um dos padrões periódicos de variação de brilho da estrela, um ciclo que se repete a cada 2.100 dias, poderia muito bem ser o da presença de uma companheira. Se esse fosse o caso, ela talvez pudesse ser observada diretamente no momento em que estivesse no máximo afastamento relativo do astro central, algo que, segundo as previsões, ocorreria em dezembro daquele ano. Improvável, mas não impossível.

Baseados nessa predição, Miguel Montargès, do Observatório de Paris, e seus colegas se puseram a monitorar a estrela na época prevista com o VLT (Very Large Telescope), do ESO (Observatório Europeu do Sul, no Chile ), colhendo imagens da estrela supergigante conhecida desde a Antiguidade por seu acentuado brilho avermelhado, visível a olho nu, na constelação de Órion (perto das famosas Três Marias).

O interesse por ela é ancestral, mas aumentou entre os astrônomos desde o fim de 2019, quando se observou uma redução acentuada de seu brilho, e houve quem suspeitasse que ela estava prestes a explodir como uma supernova –o destino de estrelas muito mais massivas que o Sol quando atingem o fim de suas vidas. No fim, o fenômeno foi explicado por uma nuvem de poeira que obscureceu temporariamente a estrela. Mas a curiosidade pelo astro permaneceu.

E qual não foi a surpresa quando Montargès recebeu as imagens processadas colhidas pelo instrumento Sphere, do VLT. Isso porque, se a estrela tivesse a massa originalmente prevista no artigo que sugeriu sua posição ideal para observação, aproximadamente a mesma do Sol, o brilho seria insuficiente para uma detecção incontroversa. No entanto, lá estava ela, clara como o dia, a companheira de Betelgeuse. Com base nas imagens, ela deve ter duas a três vezes a massa do Sol.

O estudo reforça outra observação realizada na mesma época e reportada no ano passado , baseada em imagens obtidas pelo observatório Gemini Norte, no Havaí, que indicavam uma "provável detecção por imagem direta" do astro. E o último prego no caixão que deve enterrar esse mistério deve vir daqui a pouco mais de um ano, quando uma nova observação será feita para tentar flagrar a companheira do lado oposto do sistema.

Com essa confirmação, fica determinado que o ciclo de variação de brilho da supergigante é mesmo causado pela presença dessa estrela, e não por atividade interna. Isso, por sua vez, afasta a noção de que ela poderia estar nas últimas, prestes a explodir como supernova.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Ciência.

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