Aliados dos EUA colocam em dúvida versão de Trump sobre segurança em Ormuz
Aliados dos Estados Unidos estão alertando reservadamente que o Estreito de Ormuz provavelmente ainda contém minas navais, colocando em dúvida a afirmação do presidente Donald Trump de que a Marinha americana removeu e detonou completamente os explosivos instalados pelo Irã.
Segundo pessoas familiarizadas com avaliações internas, que pediram anonimato para discutir o tema, os EUA provavelmente tiveram algum sucesso na remoção de minas em águas internacionais.
No entanto, elas acreditam que as operações de desminagem ainda não eliminaram todas as cerca de 80 a 150 minas que teriam sido colocadas pelo Irã.
A avaliação contraria declarações repetidas por Trump nos últimos dias de que o estreito já foi totalmente liberado.
Nesta quarta-feira, ele classificou Ormuz como “um estreito plenamente funcional” e reiterou que não restam minas na região.
“As minas desapareceram.
Vocês provavelmente viram isso.
Divulgamos ontem: eliminamos todas as minas”, afirmou durante entrevista ao programa The Glenn Beck Program .
O Comando Central dos EUA (Centcom) se recusou a comentar nesta quarta-feira as estimativas sobre a presença de minas em Ormuz.
Leia também Irã diz ter fechado acordo com Omã sobre Ormuz e acusa EUA de travar avanço Segundo a Guarda Revolucionária, os dois países acertaram divisão de receitas e da gestão da hidrovia estratégica; reabertura plena da rota ainda depende de negociações com Washington Irã e Omã discutem corredor temporário em Ormuz enquanto impasse com EUA se prolonga Irã e Omã vêm mantendo negociações intermitentes há semanas sobre o controle do tráfego por essa via navegável estratégica Trump vem insistindo que o estreito é seguro como parte de um esforço mais amplo de sua administração para acalmar os mercados de energia enquanto tenta encerrar a guerra de seis meses antes das eleições legislativas de novembro.
Autoridades de países aliados acreditam que a tarefa se tornou ainda mais complicada porque muitas minas, inclusive aquelas identificadas e posicionadas em grupos, podem ter sido deslocadas pelas correntes marítimas.
Esses governos alertam que restaurar a confiança das empresas de navegação para voltar a utilizar a rota exigirá uma iniciativa internacional, combinando equipamentos sofisticados de desminagem com proteção aérea e naval.
Os aliados também querem que o Irã autorize Omã a conduzir uma missão desse tipo em águas omanenses para garantir que embarcações não sejam atacadas.
“É altamente improvável que todas as minas no estreito tenham sido removidas”, afirmou Becca Wasser, especialista em defesa da Bloomberg Economics.
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