Lula faz discurso de candidato, manda recados a Trump e diz que ONU falha em livrar humanidade da guerra
No tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu o papel de candidato de uma reeleição ameaçada por “inimigos externos e internos da democracia”, mandou recados ao presidente dos Estados Unidos , Donald Trump , sem citá-lo nominalmente, e considerou que a entidade tem falhando em livrar a humanidade do flagelo da guerra.
Na abertura do seu décimo pronunciamento como presidente, Lula disse que, desde que ocupou a tribuna, em 2003, esse é o momento mais crítico da ONU.
“O sentimento que me move hoje é o da indignação.
A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra.
Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, disse o presidente que criticou o “imobilismo” do Conselho de Segurança da ONU em resolver conflitos globais.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse o presidente.
“O anos de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”, completou Lula, que classificou a guerra como uma falência total da política.
Lula lembrou seu passado como líder popular que lutou contra a ditadura brasileira e defendeu o País contra a tentativa de golpe de estado, em 2023.
Citou o ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin e o presidente da Organização para Libertação da Palestina (OLP) Yasser Arafat, que firmaram o histórico acordo de paz entre as nações, em 1994, como estadistas que desafiaram passado para projetar futuro de paz, mas que foram derrotados pelo ódio.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza.
Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos aos fatos terroristas do Hamas”, disse Lula se referindo ao recente conflito na região.
Lula ainda citou o conflito entre Estados Unidos e Irã, sem citar os países nominalmente – disse que o estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional – e classificou a guerra entre Rússia e Ucrania, que se arrasta ha cinco anos, em um “drama humanitário”. ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’ No primeiro recado a Trump, Lula disse que na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.
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