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Política

O território já existe antes de chegar ao mapa

JOTA ·
O território já existe antes de chegar ao mapa

O reconhecimento dos territórios tradicionalmente ocupados ainda enfrenta desafios fundiários e institucionais, além do apagamento da história de povos que vivem ali há séculos.

No Pará, quarto estado com maior número de localidades e comunidades quilombolas, a ausência ou insuficiência de informações sobre esses territórios dificulta a visibilidade e o acesso a políticas públicas, processos de regularização e de proteção territorial.

Mas a ausência de um território em bases de dados ou mapas oficiais não significa que ele não exista.

Antes de qualquer linha ou coordenada, há um conhecimento construído no cotidiano sobre os limites, os caminhos, as áreas de uso comum, os roçados, os lugares sagrados, os conflitos e as transformações daquele espaço ao longo do tempo.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email É a partir desse conhecimento que se constrói o automapeamento, um processo que permite que as próprias comunidades identifiquem, organizem e registrem informações sobre seus territórios a partir de experiências, memórias e formas de ocupação.

Quem vive no território deixa de ser apenas fonte de informação para um mapa produzido por terceiros e participa diretamente da construção dessa representação.

Nesse processo, o mapa não cria o território: traduz para outra linguagem um conhecimento que já existe e que é produzido coletivamente pelas comunidades.

É nesse contexto que se insere o Tô no Mapa , aplicativo desenvolvido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) em parceria com o ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza), com apoio da Rede Cerrado e do Instituto Cerrados.

A ferramenta permite que povos e comunidades tradicionais possam realizar o mapeamento de seus territórios.

Lançada em 2020, a iniciativa iniciou focando em comunidades do Cerrado.

Em 2025, após articulação de organizações representativas de povos e comunidades tradicionais, foi ampliada para a Amazônia.

No Pará, a parceria entre o IPAM e a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará), por exemplo, possibilitou levar a experiência do automapeamento a comunidades quilombolas.

Formalizada em 2004, a Malungu representa associações de comunidades quilombolas de diferentes regiões do Pará e atua na articulação e na defesa de seus direitos.

O próprio nome da organização carrega uma dimensão simbólica: Malungu significa “companheiro” ou “companheiro de travessia”, remetendo à ideia de caminhada coletiva e aos laços construídos entre aqueles que compartilham uma história de resistência.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.

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