A ‘Faria Lima’ está errada? O que o mercado não enxerga sobre o risco fiscal, segundo Felipe Salto
Se existe um consenso no mercado neste momento é que as contas públicas serão um dos maiores desafios do presidente que será eleito — ou reeleito — em outubro.
Mas, o tamanho desse desafio está longe de ser um consenso.
Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, alguns participantes do mercado financeiro estão adotando um alarmismo que descola da realidade atual das contas do país.
"O risco de o Brasil quebrar é zero.
Não existe risco de insolvência", disse o economista em participação no podcast Touros e Ursos do Seu Dinheiro.
A frase, dita logo no início da entrevista, resume a principal divergência de Salto com o mercado.
Para ele, o Brasil tem uma dívida alta e crescente, mas também possui um dos mercados de dívida mais desenvolvidos entre os emergentes e um colchão de liquidez superior a R$ 1 trilhão, o que afasta qualquer cenário de calote ou quebra das contas públicas.
Na avaliação dele, parte dessas análises assume que os juros permanecerão elevados para sempre e ignora a possibilidade de ajustes fiscais consistentes que podem ajudar a conter o crescimento da dívida.
"Não há que se falar em crise quando você tem um déficit que está estável e tem o mercado de dívida pública mais pujante dos países emergentes.
Na Warren, a mesa de títulos públicos tem uma demanda gigantesca, no mercado primário e no mercado secundário", disse Salto.
O problema existe, mas está longe de ser insolúvel Se por um lado Salto rejeita o discurso de crise, por outro também não minimiza o problema.
A dívida pública brasileira, hoje próxima de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), está acima da média dos países emergentes e continua crescendo.
O economista afirma que o mercado tem razão ao cobrar medidas para estabilizar essa trajetória.
O erro, em sua visão, é tratar o cenário atual como uma situação de ruptura iminente.
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