A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
Com a inadimplência em alta, banco reduz as estimativas para os bancões; veja o que mudou e onde ainda há potencial, segundo os analistas
O ciclo de crédito ficou mais difícil para os bancos brasileiros — e levou o Safra a colocar o pé no freio com as ações . Em meio à piora da inadimplência , os analistas decidiram reduzir os preços-alvo de gigantes como Itaú (ITUB4) , Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) .
“O ambiente para o crescimento do crédito e dos lucros é claramente pior do que antes, com o aumento do estresse no segmento de pessoa física e a Resolução 4.966”, afirmam os analistas.
A própria leitura dos números ficou mais complicada. Segundo o Safra, a mudança trazida pela Resolução 4.966 , que elevou a régua para as provisões (o colchão dos bancos contra eventuais calotes) , dificulta a comparação do indicador de inadimplência com o histórico, tornando menos evidente a dimensão da deterioração.
Mas, para os analistas, há uma diferença importante entre um ciclo de crédito mais difícil e uma nova crise bancária. O Safra não vê, neste momento, um cenário de deterioração generalizada das carteiras.
Isso porque os bancos estão mais cautelosos na concessão de crédito do que no ciclo de 2023, o que reduz a exposição a uma piora ampla da qualidade dos ativos.
Contudo, o outro lado dessa cautela é um crescimento mais contido. Com menor apetite a risco, também diminui o espaço para os bancos expandirem as carteiras e recuperarem rentabilidade.
Diante desse cenário, os grandes bancos vêm buscando clientes de maior renda e linhas consideradas menos arriscadas, como operações com garantias públicas (FGI e FGO) e o crédito consignado. Nenhuma dessas alternativas, porém, resolve a equação sozinha.
Na alta renda, a disputa é acirrada, com uma oferta abundante de produtos e serviços financeiros. Já nas linhas garantidas, os analistas destacam a necessidade de uma gestão ativa para evitar perdas acima dos limites de stop-loss e problemas de cobrança.
O resultado é um ambiente menos confortável para instituições que dependem de uma expansão mais acelerada da carteira para recuperar rentabilidade.
O Itaú Unibanco (ITUB4) também sente a mudança no ciclo de crédito, mas, na avaliação do Safra, parte de uma posição mais confortável que os rivais.
Segundo os analistas, a composição da carteira e a disciplina na concessão de crédito tornam o banco menos sensível à deterioração dos ativos do que seus pares, o deve ajudar a limitar o impacto sobre os resultados.
No entanto, o Safra chama atenção para uma mudança na fonte de crescimento daqui para frente. A expectativa é de uma expansão mais lenta da receita, enquanto os lucros dependerão cada vez mais de controle de custos e ganhos de eficiência, e menos do crescimento da receita.
“Embora essas características continuem a justificar um prêmio de avaliação, elas também implicam um potencial de valorização mais limitado em relação aos níveis atuais”, avalia o Safra.
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