Gigantes do Golfo gastam bilhões para driblar dependência do Estreito de Ormuz
LONDRES — Seis meses atrás, exportar petróleo do Golfo Pérsico era algo relativamente simples: produzir o crude ao menor custo possível, exportá-lo pela rota mais rápida e vendê-lo aos países que podem pagar mais.
Esses dias acabaram.
O transporte pelo Estreito de Ormuz, durante muito tempo a rota mais eficiente para as exportações, continua severamente reduzido por causa da guerra no Irã.
Grande parte do petróleo que atravessa o estreito o faz em navios-tanque que enfrentam uma perigosa barreira de drones de ataque iranianos, ou navegam no escuro, com seus dispositivos de localização desligados.
Pelo menos 17 marinheiros morreram na região.
Os países do Golfo, que por décadas produziram grande parte do petróleo mundial, agora estão determinados a romper sua dependência da estreita via marítima.
Eles estão construindo ou expandindo oleodutos e outras infraestruturas que possam contorná-la, além de ampliar enormemente a capacidade de armazenamento em lugares como a Ásia.
Esses empreendimentos mostram como a guerra está transformando o negócio do petróleo no Golfo Pérsico.
Custarão bilhões de dólares e levarão anos para serem concluídos, mas empresas e governos os consideram proteções essenciais em uma região cada vez mais volátil.
Mesmo que um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã se materialize, os exportadores do Golfo reconhecem que depender excessivamente de uma única rota de trânsito é um risco que não podem mais correr.
E essas medidas, com o tempo, podem diminuir a influência do Irã na região.
Leia também Irã e EUA apresentam reivindicações conflitantes sobre controle do Estreito de Ormuz “Hoje vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica”, declarou Hossein Taeb Irã: chefe de força paramilitar diz que Ormuz está sob o controle de Teerã Os EUA e o Irã disputam o controle sobre a importante rota marítima “Muita gente presume que o Estreito de Ormuz nunca mais terá a mesma participação nas exportações de petróleo que tinha antes da guerra”, disse Ben Cahill, analista de energia da Universidade do Texas em Austin.
“Nenhum país do mundo quer voltar a depender tão fortemente desse ponto de trânsito.” Os produtores de energia, disse ele, começaram a dar mais valor à segurança de sua infraestrutura, mesmo que isso tenha um custo maior e menos eficiência.
Antes de Estados Unidos e Israel iniciarem ataques militares contra o Irã em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de crude (petróleo bruto) por dia atravessavam o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico.
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