Uma conversa com o cientista que é um dos pais das canetas emagrecedoras
Eles viraram o símbolo de uma era.
Mirando duas das principais doenças crônicas da atualidade — a obesidade e o diabetes —, tornaram-se a classe de medicamentos mais lucrativa da indústria farmacêutica e mobilizaram uma revolução médica, comportamental e econômica sem precedentes.
Falamos, claro, dos análogos de GLP-1 , classe que ficou popularizada pelo apelido de “ canetas emagrecedoras ” e, com a queda da patente de uma de suas principais expoentes (a semaglutida ) , aquece o mercado e as farmácias no país.
Mas essa história toda começa, na verdade, há mais de 40 anos.
E um personagem central nela foi o médico canadense Daniel Drucker , da Universidade de Toronto.
Suas pesquisas foram decisivas para entender a atuação do GLP-1, esse peptídeo que ajuda a controlar o peso e a glicemia, e pavimentar a criação de remédios com esse princípio.
Candidato inclusive a um Prêmio Nobel, o cientista falou com VEJA SAÚDE sobre como tudo começou e o que ainda espera ver nesse capítulo fascinante da medicina. +Leia Também: Canetas emagrecedoras no Brasil: conheça as disponíveis em 2026 VEJA SAÚDE: Sabemos que alguns cientistas desempenharam um papel crucial nas descobertas relacionadas ao GLP-1 e na transformação dessas descobertas em medicamentos.
Qual foi a sua participação nessa história? Continua após a publicidade Daniel Drucker: Tive a sorte de chegar a Boston, nos EUA, em 1984, e fui designado para um projeto que buscava entender se uma molécula chamada pró-glucagon [precursora do hormônio glucagon, produzido pelo pâncreas quando falta glicose na circulação] poderia dar origem a alguns peptídeos previstos de acordo com trabalhos de sequenciamento genético.
Meus estudos demonstraram, por meio de técnicas de biologia molecular, que múltiplas formas de GLP-1 podiam ser liberadas nas células nas quais introduzíamos determinado gene.
Em seguida, procurei entender qual era a função desses peptídeos .
Não observei uma atividade significativa ao estudá-los, por exemplo, nas células da hipófise [glândula no cérebro], mas, ao fazer isso com as ilhotas pancreáticas [onde se produz a insulina], consegui mostrar que uma forma de GLP-1 era capaz de estimular a secreção de insulina, um efeito que dependia da concentração elevada de glicose .
Essas foram as primeiras demonstrações da bioatividade e do potencial do GLP-1, que serviram de base para pedidos de patente depositados pelo meu orientador, o professor Joel Habener, tendo em vista o tratamento do diabetes tipo 2 .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.