Eles odeiam a cultura e agora querem que ela pague a conta
Foi imensa a indignação diante da informação do cancelamento do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro . Um dos mais importantes festivais de cinema do país, símbolo da resistência e da produção audiovisual brasileira, tem sua história marcada por décadas de existência. Somente durante o período da ditadura militar houve uma interrupção dessa natureza.
Mas, diante das escolhas políticas do atual governo do Distrito Federal, talvez isso não devesse nos surpreender. Ao mesmo tempo em que defendem a militarização das escolas e se alinham a um projeto político de extrema direita, atacam sistematicamente a cultura, seus trabalhadores, suas instituições e suas políticas públicas.
O cancelamento do Festival não é um fato isolado. Ele evidencia o que o setor cultural vem enfrentando ao longo dos oito anos dos governos de Ibaneis Rocha e Celina Leão: ataques constantes às políticas culturais, precarização da gestão pública e desmonte de estruturas fundamentais para garantir o direito à cultura no Distrito Federal.
Desde o início, tentaram acabar com o Fundo de Apoio à Cultura (FAC) . Buscaram retirar R$ 25 milhões de um edital que já estava em andamento e, em outro momento, retiraram recursos do Fundo. Vieram as manobras, os atrasos, a insegurança e, ao final, o saldo remanescente desapareceu.
A precarização também aparece na própria estrutura da Secretaria de Cultura. Em 2025, dos 900 cargos efetivos previstos, apenas 119 estavam ocupados: eram 781 cargos vagos. Apenas 13% dos cargos efetivos estavam preenchidos, um retrato contundente do esvaziamento da capacidade do Estado de formular e executar políticas culturais.
Mas precarização não se mede apenas pelo número de servidores que faltam ou pelo tamanho do orçamento que desaparece. Ela também se mede pelo impacto sobre as pessoas.
São trabalhadores e trabalhadoras que precisam responder por uma estrutura cada vez mais fragilizada, acumulando funções, lidando com sobrecarga, pressão, falta de condições adequadas de trabalho e insegurança permanente. O resultado também aparece no adoecimento de quem trabalha na gestão pública da cultura e de quem produz cultura na ponta. Porque não existe política cultural sem gente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.