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É mesmo só fiscal? Cresce a parcela de culpa dos EUA no problema do juro brasileiro

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É mesmo só fiscal? Cresce a parcela de culpa dos EUA no problema do juro brasileiro

O fiscal brasileiro é apontado com frequência pelo mercado como principal explicação para o alto nível de juro real da economia brasileira, que segue oferecendo mais de 7% ao ano além da inflação para títulos de longo prazo.

Mas um episódio recente voltou a jogar luz sobre um segundo culpado: a curva de juros americana.

A taxa dos títulos de 30 anos dos Estados Unidos alcançou na semana passada o maior patamar desde 2007, e quase não cedeu mesmo depois de o Tesouro americano anunciar uma intervenção.

“Desde a metade do ano passado, quem guia a nossa taxa longa é o cenário externo”, explica o estrategista de renda fixa Lucas Queiroz.

Ele decompôs a variação do DI de cinco anos em três parcelas, o funding externo, o prêmio doméstico e o prêmio de liquidez e conversibilidade, e chegou à conclusão de que a primeira foi a mais dominante ao longo de 2026.

Queiroz lembra que a taxa de juros dos Estados Unidos saiu do zero em 2021 para acima de 3,5% ao ano e que este “é o funding de todo mundo”.

No mesmo período, o prêmio de liquidez e conversibilidade brasileiro, que é o custo extra cobrado pelo risco de não conseguir converter e retirar recursos do país nas condições contratadas, subiu entre um e um ponto e meio.

Segundo ele, os dois movimentos, ambos externos ou ligados a condições externas, dão conta da maior parte da alta que a taxa longa brasileira acumulou desde então.

“Você já tem uma subida de 6, 6,5 pontos percentuais que é fácil de explicar, e o fiscal aí é uma parcela muito pequena”, afirma.

Leia também: Mercado dá primeiros sinais concretos de retorno da tese de dólar fraco Emissões bilionárias A explicação para o juro americano mais alto está na luta contra a inflação e no descontrole das contas por lá, mas um novo elemento ganhou força recentemente.

Empresas de inteligência artificial precisam de volumes crescentes para construir data centers e disputam esse dinheiro com o próprio Tesouro americano.

Quando a procura por capital aumenta e a oferta não acompanha, o governo é obrigado a oferecer juros maiores.

As cinco maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos (Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle) saíram de uma média de cerca de US$ 35 bilhões em emissões anuais de bonds entre 2020 e 2024 para US$ 94 bilhões em 2025.

Nos primeiros sete meses de 2026, o volume já alcançou US$ 132 bilhões, segundo cálculos da Vanguard.

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