Governo vê risco eleitoral em repercussão de decisão de Moraes que quebrou sigilo da fonte
O mal-estar causado pela decisão do ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), ao quebrar o sigilo da fonte tem potencial para ir além de críticas domésticas, endossadas, em boa medida, por setores da imprensa.
Já há uma leitura de que, explorada sob o argumento de afronta à liberdade de expressão, a decisão pode acabar instrumentalizada por segmentos da direita internacional e transformada em arsenal para movimentar as redes numa tentativa de interferência nos rumos das eleições.
Não é novo o temor dentro do governo de que as plataformas digitais possam estar na origem de perturbações no processo eleitoral.
Essa, aliás, como revelou o JOTA , é uma das principais preocupações manifestadas reservadamente pelo entorno do presidente Lula desde a posse do americano Donald Trump, quando surgiu cercado dos comandantes das gigantes de tecnologia.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas O governo está convencido de que novas tentativas de interferência devem acontecer daqui até o fim do segundo turno.
É nesse contexto que a decisão de Moraes poderia ser usada.
Seguindo esse raciocínio, nada melhor do que temas que mobilizem a opinião pública.
“O risco maior vem do subterrâneo, que é a capacidade que as plataformas têm de interferir na opinião das pessoas”, disse uma fonte ao JOTA .
Nesta semana, Moraes autorizou uma operação contra um ex-secretário do Maranhão apontado como fonte do jornalista alvo da investigação por suposto monitoramento dos deslocamentos de outro ministro do STF, Flávio Dino.
A reação foi imediata, principalmente entre a imprensa, que viu na medida a abertura de um precedente perigoso contra a própria atuação.
A direita brasileira também se apropriou da situação, alegando que o STF é contra a liberdade de expressão.
O presidente do STF, Edson Fachin , saiu em defesa de Dino e adotou um discurso conciliatório, segundo o qual a liberdade de expressão e de imprensa está protegida, mas ameaças a ministros precisam ser investigadas.
Moraes não fez mea-culpa.
Justificou a operação dizendo que há “prova cabal da materialidade” e “fortes e concretos indícios” do crime de perseguição contra Dino.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.