Onde o Brasil deveria apostar na indústria de semicondutores?
Quando se fala em semicondutores, é comum pensar imediatamente nos chips mais avançados do mundo: processadores para inteligência artificial, smartphones e data centers, produzidos com tecnologias de poucos nanômetros.
A corrida por esses componentes ganhou dimensão geopolítica e passou a ocupar espaço crescente nas políticas industriais das principais economias.
No Brasil, esse movimento reacendeu uma pergunta recorrente: o país conseguirá construir uma indústria de semicondutores capaz de competir internacionalmente? Talvez seja necessário reformular a questão.
Em vez de perguntar apenas se o Brasil pode produzir chips de última geração, deveríamos discutir quais tipos de semicondutores fazem sentido para uma estratégia nacional.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Essa discussão se tornou mais urgente do ponto de vista regulatório.
Em setembro de 2024, a Lei 14.968 instituiu o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon) e ampliou os instrumentos de política industrial para o setor.
Em 15 de julho de 2026, o Decreto 13.065 regulamentou o programa e criou seu Conselho Gestor, com a finalidade de monitorar e avaliar o Brasil Semicon.
O Brasil passa, portanto, da discussão sobre a necessidade de uma política para semicondutores para uma questão mais difícil: onde concentrar esforços e recursos? A resposta exige compreender que a indústria de semicondutores é muito mais ampla do que os processadores que dominam as manchetes.
Há sensores de pressão, temperatura e movimento; componentes para controle e conversão de energia; circuitos analógicos e de radiofrequência; dispositivos optoeletrônicos e chips destinados à indústria automotiva, entre muitas outras categorias.
Nem todos dependem dos nós tecnológicos mais avançados.
Em muitos casos, confiabilidade, eficiência energética, operação em condições severas, integração com sistemas físicos e adequação a aplicações específicas são mais importantes do que reduzir continuamente o tamanho dos transistores.
Essa diferença importa para um país que precisa decidir onde investir recursos limitados.
Uma primeira oportunidade está nos sensores e sistemas microeletromecânicos, os MEMS.
Esses dispositivos estão presentes em automóveis, equipamentos médicos, máquinas industriais e sistemas de monitoramento.
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