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A árvore misteriosa cuja seiva azul-esverdeada pode concentrar cerca de 25% de níquel

O Antagonista ·
A árvore misteriosa cuja seiva azul-esverdeada pode concentrar cerca de 25% de níquel

Espécie da Nova Caledônia acumula quantidades extraordinárias de níquel e produz um dos látex mais incomuns já estudados pela botânica

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em uma floresta tropical da Nova Caledônia cresce a Pycnandra acuminata , uma árvore capaz de concentrar quantidades extraordinárias de níquel em seus tecidos. O detalhe mais impressionante aparece quando seu tronco é ferido: um látex azul-esverdeado revela um fenômeno botânico tão incomum que ajudou a abrir uma nova área de pesquisas sobre plantas hiperacumuladoras.

A espécie é endêmica da Nova Caledônia, arquipélago do Pacífico conhecido por extensas áreas de solos ultramáficos naturalmente ricos em metais. Nessas condições, grande parte das plantas enfrenta dificuldades para crescer, mas algumas linhagens desenvolveram mecanismos capazes de tolerar e concentrar elementos como o níquel.

A Pycnandra tornou-se um dos exemplos mais famosos desse fenômeno. Em vez de simplesmente impedir a entrada do metal, ela absorve níquel pelas raízes, transporta o elemento internamente e consegue armazená-lo em concentrações muito superiores às encontradas em plantas comuns.

A afirmação de que a árvore possui “25% de metal puro nas veias” é imprecisa. Estudos relatam aproximadamente 20% a 25% de níquel no látex em relação à matéria seca, mas isso não significa que um quarto do líquido fresco seja formado por níquel metálico. O elemento está presente em formas químicas solúveis e associado a compostos orgânicos.

Para interpretar corretamente esse número, é importante separar três informações:

O vídeo abaixo, dedicado às plantas hiperacumuladoras, apresenta especificamente a Pycnandra acuminata e explica como algumas espécies conseguem retirar metais do solo e concentrá-los em seus tecidos. Ele também mostra por que essa árvore se tornou um dos exemplos mais marcantes desse fenômeno.

A cor não vem de um pigmento ornamental criado pela árvore. Ela está relacionada aos complexos de níquel dissolvidos no látex. A concentração extraordinária desse elemento produz a aparência verde-azulada que tornou a espécie famosa entre botânicos e pesquisadores de hiperacumulação.

Uma revisão publicada no New Phytologist relata concentrações de aproximadamente 20% a 25% de níquel no látex e descreve como a descoberta da espécie, ainda na década de 1970, impulsionou pesquisas internacionais sobre plantas capazes de acumular metais.

Tudo começa nas raízes. O níquel disponível no solo é absorvido e transportado pelo sistema vascular até diferentes partes da planta. Pesquisas mais recentes também estudam os laticíferos, estruturas especializadas responsáveis pelo látex e que concentram quantidades particularmente elevadas do elemento.

A sobrevivência depende não apenas da absorção, mas também da capacidade de controlar onde o níquel é transportado e armazenado. Esses mecanismos ajudam a evitar que concentrações elevadas do elemento provoquem danos generalizados aos processos celulares da planta.

A função evolutiva exata da hiperacumulação ainda não está completamente esclarecida.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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