A asfixia do mercado de capitais
O recuo do Chile no IFRS S1 e S2 expõe um problema maior: a asfixia dos mercados de capitais.
A decisão da Comisión para el Mercado Financiero (CMF) de adiar a obrigatoriedade da divulgação de relatórios de sustentabilidade baseados nos padrões IFRS S1 e S2 chamou a atenção de reguladores e agentes do mercado.
Desde 2015, o Chile vinha se consolidando como referência regional em transparência ESG, ao exigir das companhias abertas informações sobre diversidade na liderança e diferenças salariais.
O adiamento da implementação dos novos padrões, agora previsto para 2028, com base no exercício de 2027, interrompe, ao menos temporariamente, essa trajetória.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Mas o movimento chileno está longe de ser um caso isolado.
Ele acompanha decisões semelhantes tomadas em outras importantes jurisdições.
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou a Resolução CVM 244, flexibilizando o cronograma inicialmente previsto.
Na União Europeia (UE) , a entrada em vigor da Diretiva de Reporte Corporativo de Sustentabilidade (CSRD) também foi postergada por meio do pacote Omnibus, anunciado no início de 2025.
Soma-se a isso o fato de que, segundo levantamento da Abrasca, apenas a Índia manterá, neste momento, a exigência de asseguração razoável dos relatórios, e ainda assim restrita às grandes companhias de seu mercado.
O ponto mais relevante, porém, não é a postergação em si, mas o motivo que levou diferentes países à mesma conclusão.
O custo regulatório cresceu significativamente.
Persistem incertezas sobre a forma de produzir, consolidar e assegurar o grande volume de informações exigidas, tema que ainda suscita dúvidas até entre especialistas em sustentabilidade.
Ao mesmo tempo, permanece uma questão essencial: qual é, de fato, o uso dessas informações pelos investidores na tomada de decisões de investimento? No caso chileno, essa discussão ocorre em um mercado que perdeu dinamismo após a pandemia, os efeitos do estallido social de 2019 e a consequente fuga de capitais.
A redução da liquidez desestimulou novas aberturas de capital, diminuiu o número de emissores e ampliou a busca por mercados considerados mais estáveis.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.