“Torre Eiffel” da Rússia corre risco de ser desmontada; especialistas apelam a Putin
MOSCOU — Desde os primeiros anos da União Soviética, a Torre de Rádio Shukhov, em Moscou, simboliza as grandes ambições da Rússia e sua capacidade de realizar façanhas notáveis de engenharia.
Nesta semana, equipes contratadas pelo Kremlin devem chegar à tranquila rua ao sul do centro da cidade onde a torre está localizada para iniciar o desmonte desse marco da arquitetura do século XX, batizado em homenagem a seu criador, Vladimir Shukhov.
Os proprietários da estrutura afirmam que a torre de aço vazado, corroída pelo tempo, está além de qualquer reparo e que alternativas à demolição seriam financeiramente inviáveis.
A Torre de Rádio Shukhov, construída entre 1920 e 1922 em Moscou, é uma das obras mais emblemáticas do engenheiro Vladimir G.
Shukhov e um dos principais ícones da arquitetura de vanguarda do período soviético.
Foto de 5 de fevereiro de 2014.
Crédito: Sergey Norin/Flickr Mas o plano de desmontar a torre, concluída em 1922, mobilizou um movimento em defesa de sua preservação.
Em uma rara demonstração de contestação pública na Rússia em tempos de guerra, arquitetos, engenheiros e especialistas em patrimônio assinaram uma petição aberta pedindo que o governo reconsidere a decisão.
Eles também organizaram um festival dedicado à torre e a outras obras de Shukhov, além de promover passeios guiados gratuitos para destacar o valor de seu legado.
Airat Bagautdinov, historiador da arquitetura e um dos líderes da campanha de preservação, afirmou que a decisão do Estado foi motivada principalmente por questões de custo.
A mobilização em torno da torre lembra protestos contra alguns dos planos do presidente Donald Trump para remodelar a capital dos Estados Unidos.
Com 148 metros de altura, a torre foi encomendada por Vladimir Lenin.
O objetivo era difundir a mensagem do comunismo por todo o vasto território soviético por meio da então nova tecnologia do rádio.
Mas a estrutura sempre representou mais do que um simples transmissor.
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