O elo fraco do sistema brasileiro de inovação?
A tese de que a relação universidade-empresa é o elo fraco do sistema brasileiro de inovação (SBI) é talvez o diagnóstico mais repetido na literatura nacional sobre o tema.
Os números clássicos são conhecidos: enquanto cerca de 35% das empresas inovadoras na Finlândia mantêm algum tipo de cooperação com a academia, no Brasil esse percentual historicamente girou em torno de 3% a 10% (Arbix; Salerno, 2010).
O dado se tornou tão recorrente que assumiu o status de senso comum entre formuladores de política: a inovação brasileira não decola porque a universidade não dialoga com a empresa.
Os dados realmente apontam um sistema com baixa interação entre os subsistemas científico e produtivo, mas a leitura mais cuidadosa da literatura recente sugere um diagnóstico mais sofisticado: a Embrapii, o Porto Digital e, mais recentemente, o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) apontam caminhos institucionais distintos para enfrentar o problema.
O argumento aqui defendido é o de que o gargalo brasileiro está na ausência de instituições intermediárias capazes de operacionalizar essa interação em escala.
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