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Política

A corte constitucional da África do Sul foi ocupada por uma plantação de maconha

Revista Fórum ·
A corte constitucional da África do Sul foi ocupada por uma plantação de maconha

As celas da Number Four são frias mesmo no verão de Joanesburgo.

A gente entra e a luz vem picada pelas grades, cai no chão de cimento onde milhares de homens negros dormiram amontoados, presos por leis feitas pra caírem em cima deles.

Nas paredes, o museu expõe os motivos que jogavam gente ali dentro: passe fora de dia, documento errado, ser quem era no lugar errado.

E, pichado numa das paredes de uma cela solitária, outro motivo habitual, esquecido do museu oficial mas gritando por exposição: “(estou) aqui por causa da dagga”.

Dagga é a palavra sul-africana pra maconha.

Alguém cumpriu pena naquela solitária por causa da planta que eu passei a vida estudando, e que agora está se legalizando.

Isso é o Constitution Hill.

Já foi a Old Fort, a prisão mais famosa do país pelos abusos que aconteceram ali.

Passaram por essas celas o Mandela e a Winnie, em alas separadas, o Gandhi no comecinho do século, e milhares de anônimos que a história não guardou o nome.

Uma máquina de enjaular gente por ser pobre, por ser negra, por ser indígena, por ser imigrante não branco, num país que fez disso um sistema.

As pessoas presas pela planta Aquela pichação não é um acaso.

Em 1922, a África do Sul criminalizou a dagga, e a fiscalização já nasceu com endereço.

A proibição desabou sobre um lado só.

Os argumentos da época estão escritos e são constrangedores de ler, a dagga deixaria o trabalhador negro preguiçoso, violento, perigoso.

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