Com Lula ou Flávio, mercado mantém ceticismo sobre ajuste fiscal
NOVA YORK/SÃO PAULO, 26 Ago (Reuters) – A eleição presidencial de outubro oferece aos eleitores brasileiros mais uma escolha acirrada entre esquerda e direita, mas investidores veem poucas diferenças na frente fiscal entre os dois principais candidatos, com a dívida do país provavelmente continuando a aumentar independentemente do ganhador.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem criticado duramente a política econômica do governo atual em sua tentativa de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com uma vantagem apertada nas pesquisas.
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No entanto, os mercados demonstram ceticismo de que qualquer um dos candidatos consiga iniciar de forma crível uma mudança significativa na trajetória do endividamento público.
Estabilizar a dívida brasileira até 2031 exigiria um esforço fiscal de pelo menos 2,5 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), ou cerca de R$350 bilhões, segundo Roberto Secemski, economista-chefe para o Brasil do Barclays, em Nova York.
Mas qualquer aperto fiscal é excepcionalmente difícil devido à rigidez orçamentária do Brasil e ao Congresso fragmentado.
Os eleitores também vão escolher todos os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores, tornando o resultado legislativo parte fundamental da capacidade do presidente de implementar medidas.
“Parece improvável que qualquer um dos candidatos consiga promover um esforço fiscal completo” dessa magnitude, disse Secemski, acrescentando que as primeiras medidas adotadas pelo vencedor serão um importante indicativo, pois precisam ser suficientemente robustas para convencer os investidores de que novas ações virão em seguida.
Dados do Banco Central mostram que o déficit nominal brasileiro teve média de 8,6% do PIB entre 2023 e 2025 e aumentou para 9,99% do PIB nos 12 meses encerrados em junho.
A dívida bruta do governo atingiu 81,9% do PIB, alta de 3,3 pontos percentuais no primeiro semestre.
Pesquisa do Banco Central mostra que economistas de mercado esperam déficits primários até 2029, mesmo com o governo prevendo superávits em suas metas, que excluem uma série de despesas, como parte dos gastos com precatórios.
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