Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora
As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a chegada de um novo El Niño.
O alerta foi feito pela professora Renata Libonati do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) no painel “O que esperar do El Niño”, realizado na 3ª feira (11.ago.2026) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Com base em dados do SUS (Sistema Único de Saúde) de 14 regiões metropolitanas do país, a pesquisadora afirma que foram identificadas 50.000 mortes motivadas por ondas de calor de 2000 a 2020.
Apesar do número expressivo, o problema ainda não recebe a devida importância, na avaliação da pesquisadora, que também é integrante do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da OMM (Organização Meteorológica Mundial).
“Esse número é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período.
Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país.
Não têm o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas.
Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor.
E não é verdade” , disse Renata.
Cientistas afirmam que El Niño, que altera a circulação dos ventos e o clima em todo o planeta, deve fazer com que 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas.
Além dos impactos sobre a saúde, Renata apresentou dados que relacionam o fenômeno a ondas de calor, secas e incêndios.
Segundo ela, o fenômeno pode favorecer o acoplamento desses eventos, aumentando as condições para propagação do fogo.
“Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor” , afirmou Renata.
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