O que é a nova categoria “autismo profundo”?
Uma em cada 31 crianças de 8 anos foi identificada com transtorno do espectro autista (TEA) nas regiões monitoradas pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, segundo relatório publicado em abril de 2025 , com dados de 2022. O crescimento observado nos últimos levantamentos está relacionado à ampliação dos critérios diagnósticos, à maior conscientização sobre o autismo e às diferenças no acesso à avaliação e aos serviços de saúde.
O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que pode afetar, em diferentes graus, a comunicação, a interação social e os comportamentos. O termo “espectro” representa justamente essa diversidade: enquanto algumas pessoas necessitam de pouco suporte, outras precisam de assistência significativa e contínua ao longo da vida.
Essa compreensão também mudou ao longo do tempo . Condições antes diagnosticadas separadamente, como o autismo clássico e a síndrome de Asperger, foram reunidas sob a definição de transtorno do espectro autista, que hoje considera diferentes manifestações e necessidades.
Nesse contexto, pesquisadores passaram a olhar com mais atenção para pessoas autistas com deficiência intelectual, comprometimentos importantes de comunicação e maior dependência de cuidados. Em 2021, uma comissão internacional de especialistas reunida pela revista científica The Lancet propôs o termo “ autismo profundo ” para identificar essa população e ampliar sua representação nas pesquisas e no planejamento de serviços e políticas de cuidado.
Segundo Marina Zotesso, mestre e doutora em psicologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professora de pós-graduação em ABA aplicada ao autismo do Instituto Lahmiei da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), essa proposta de classificação é algo novo, pensado justamente para um autismo que apresenta complicações mais graves e demanda maior assistência.
O autismo profundo não é um novo nível do espectro. A proposta considera principalmente a presença de deficiência intelectual significativa, limitações importantes na comunicação e alta necessidade de assistência nas atividades da vida diária .
Entre os parâmetros utilizados para estudar essa população estão QI abaixo de 50 e pouca ou nenhuma linguagem funcional . Isso não significa considerar apenas a fala: a comunicação também pode ocorrer por meio da escrita, de sinais ou de recursos de comunicação alternativa.
Para Zotesso, a proposta está basicamente relacionada às pessoas que apresentam características próximas ao nível 3 de suporte, mas com outras questões associadas.
“Estamos falando de pessoas com comprometimento significativo da comunicação, deficiência intelectual e uma dependência muito maior de suporte. É uma forma de olhar especificamente para pacientes que, dentro de um espectro tão amplo, apresentam outras questões associadas e necessidades muito diferentes”, afirma.
A classificação é considerada principalmente a partir dos 8 anos de idade, quando habilidades cognitivas e de comunicação tendem a estar mais estáveis e podem ser avaliadas com maior precisão.
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Não necessariamente.
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