Coaf sob pressão: os desafios enfrentados pela unidade de inteligência financeira
Um relatório global publicado pela Transparência Internacional em junho de 2026, “ Connecting the Dots: How financial intelligence units expose corrupt money flows and how they could do more” , examinou unidades de inteligência financeira (UIFs) em 20 países, incluindo o Brasil.
O estudo avalia as condições necessárias para a produção de relatórios de inteligência financeira, como acesso e qualidade dos dados, capacidade analítica, cooperação nacional e internacional, recursos, independência operacional, transparência e salvaguardas contra abusos e interferências.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas A conclusão é preocupante.
Muitas UIFs operam sem acesso pleno às informações, com capacidade insuficiente e sob pressões institucionais.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ), a UIF brasileira, ilustra esse cenário porque as condições em que opera limitam seu potencial.
Advocacia como brecha no sistema antilavagem brasileiro Dinheiro ilícito não circula apenas por setores financeiros.
O relatório mostra que, em quase metade dos países analisados, as obrigações de reporte não abrangem adequadamente setores não financeiros.
As lacunas são relevantes em setores como a advocacia, o mercado imobiliário e os prestadores de serviços corporativos.
No Brasil, existe uma lacuna estrutural: advogados não estão sujeitos a obrigações abrangentes de prevenção à lavagem nem ao dever de comunicar operações suspeitas ao Coaf.
Na prática, ficam fora do grupo de “entidades obrigadas”.
O Brasil se aproxima de países como o Canadá, onde uma decisão da Suprema Corte de 2015 isentou a advocacia de reportar à UIF, lacuna classificada pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) como vulnerabilidade séria.
Na França, advogados reportam-se ao presidente da ordem profissional, que filtra e encaminha casos à UIF em até oito dias.
O relatório alerta para conflitos de interesse, limitações analíticas e atrasos nessa intermediação.
No Brasil, tal debate se arrasta há anos entre argumentos de sigilo profissional e resistências corporativas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.