El Niño pode ser o mais forte desde 1950 — e ameaça até metade da soja no Brasil
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 93% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade “muito forte” entre setembro e novembro, quando o aquecimento das águas do Pacífico equatorial fica pelo menos 2°C acima da média.
Para o agronegócio brasileiro , o alerta chega em um momento decisivo: o fenômeno deve ganhar força justamente durante o plantio e o desenvolvimento da safra 2026/27.
A perspectiva se torna ainda mais relevante no trimestre seguinte. Entre outubro e dezembro, a NOAA calcula em 95% a chance de um El Niño muito forte . Há ainda 69% de probabilidade de o evento estar entre os mais intensos registrados desde 1950, início da série histórica utilizada pela agência americana.
O fenômeno também deve atravessar a virada do ano. Entre novembro e janeiro de 2027, a probabilidade de permanecer muito forte é de 90%. O enfraquecimento mais significativo aparece apenas entre janeiro e março, quando a chance dessa intensidade cai para 35%.
Isso significa que os efeitos podem acompanhar boa parte do calendário agrícola brasileiro — e não apenas a safra de verão.
Para Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, esse é um ponto especialmente importante para o Brasil, onde produtores conseguem colher duas e, em algumas regiões, até três safras na mesma área.
Segundo o analista, o El Niño começou a se formar em julho e deve avançar nos próximos meses. O problema, segundo ele, não está apenas na intensidade, mas na maneira desigual como o fenômeno altera o regime de chuvas pelo país.
No Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — e no Norte, o principal risco é de estiagem. O norte de Mato Grosso também pode ser afetado, enquanto Centro-Oeste e Sudeste tendem a enfrentar redução mais moderada das precipitações.
No Sul, ocorre o contrário: a tendência é de chuvas acima da média. Água em excesso, porém, também pode representar perdas, especialmente para culturas como o arroz.
“É desigual porque, quando prejudica uma área, acaba ajudando outra. O Brasil tem essa característica e, por isso, a perda total não costuma ser tão grande”, disse Cogo.
A própria NOAA ressalta que um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade dos efeitos normalmente associados ao fenômeno, mas não significa que todos eles necessariamente ocorrerão.
A intensidade do aquecimento do Pacífico, portanto, não pode ser traduzida automaticamente em tamanho da quebra de safra.
É na soja que a distribuição das chuvas ganha peso. O Centro-Oeste concentra 47% da área plantada no país, seguido pelo Sul, com 27%, e pelo Matopiba, com 14%. Pelos cálculos de Cogo, entre 45% e 50% da área brasileira da oleaginosa pode ficar sob influência do El Niño.
O histórico ajuda a dimensionar o risco. No último episódio intenso citado pelo analista, entre 2015 e 2016, a produção de soja nas regiões afetadas caiu de 47,6 milhões para 30,2 milhões de toneladas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.