Eleições 2026: o circo começou
De hoje até 4 de outubro, dia do primeiro turno, e 25 de outubro, dia do segundo, o melhor a fazer é cuidar da própria vida
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O início oficial da campanha eleitoral de 2026 não traz notícias alvissareiras ou mesmo a mais remota esperança de dias melhores. A data marca apenas mais um ciclo eleitoral que será atirado na lata de lixo, em que a patuleia assistirá às mais bizarras cenas de agressão, acusação, promessas vazias e lacração ideológica e identitária , protagonizadas por palhaços, ilusionistas e velhacos em busca de poder e à caça de (mais) dinheiro alheio, já que os R$ 5 bilhões de fundo eleitoral não bastam.
Entre eleitores ignorantes, cegos e fanáticos que não se importam com nada além da obediência servil ao ídolo de plantão, deixando o ódio pelo oposto e a preguiça intelectual imperarem justamente na única ocasião em que poderiam exercer domínio pleno sobre os abutres da política, há alguns poucos que dedicarão os próximos meses a tudo, menos ao debate e ao embate eleitoral . Outros, por mera resiliência e espírito de independência, insistirão em depositar seus votos – e esperança – em candidatos e causas perdidas.
Os dois principais candidatos ao Planalto são, de um lado, o mofo embolorado pelo atraso, pela ineficiência e pela corrupção e, de outro, o mesmo mofo, só que apimentado por generosas pitadas de negacionismo, autoritarismo, messianismo e cafajestagem familiar . Os demais, no gargarejo da rabeta do fim da composição, não passam de murmúrios repetidos e siameses, misturando-se e confundindo-se – ou fundindo-se – com os ecos dos mesmos vícios, discursos, cores e odores de sempre.
Nos estados, raras as exceções, bate-paus dos de Brasília e uma horda exótica atrás dos mais de R$ 60 bilhões anuais em emendas parlamentares federais e sabe-se lá de quantos outros bilhões nas versões estaduais do mesmo butim. O tal sufrágio universal é, na verdade, o naufrágio da organização social brasuca. A prova inconteste de que, em Banânia, a tal democracia falhou miseravelmente , ainda que seja sempre infinitamente mais desejável do que qualquer aventura autoritária – bolsonarista ou não.
Aliás, falando em autoritarismo e naufrágio democrático, lembremo-nos de uma das piores semanas desde a redemocratização, quando assistimos ao todo-poderoso Xandão , em socorro ao “amigo de fé, irmão camarada” de Lula, Flávio Dino , acabar de fazer picadinho com o que sobrou daquele livrinho sujo, surrado e desrespeitado, que um dia jurou defender. O fim do sigilo da fonte é a face mais nova e aparente do fim da Carta de 1988 e, talvez, o início fático de outro fim: o da liberdade de imprensa.
De hoje até 4 de outubro, dia do primeiro turno , e 25 de outubro, dia do segundo turno , o melhor a fazer é o de sempre: cuidar da própria vida. Porque ninguém mais irá cuidar dela por você. “ Nossa, Ricardo, não há nada que preste, então? ”. No âmbito da organização do Estado e da tripartição dos Poderes , em todas as esferas (municipal, estadual e federal), não. Não há. O consolo – ironicamente, é claro – é que, daqui a dois anos, tem mais. E não corremos o menor risco de tudo isso mudar para melhor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.