Onde estava a plataforma?
Sou mãe de adolescente.
Também estudo tecnologia e trabalho nesse universo.
Talvez por isso me incomode tanto a rapidez com que, diante de uma tragédia envolvendo crianças, adolescentes e internet, aparece sempre a mesma pergunta: onde estavam os pais? É uma pergunta legítima.
Pais têm responsabilidade sobre os filhos.
Precisam conversar, observar, estabelecer limites e tentar conhecer os ambientes digitais que eles frequentam.
O que não considero legítimo é transformar essa responsabilidade em explicação suficiente, porque não é.
Conheça o JOTA PRO Tecnologia, solução corporativa que acompanha todas as movimentações regulatórias e legislativas que impactam o setor Existe uma diferença brutal entre criar uma criança e imaginar, de fora, como uma criança deveria ser criada.
Em algum momento, aquele bebê que estava permanentemente diante dos nossos olhos se torna adolescente, fecha a porta do quarto, coloca um fone de ouvido e liga o computador.
Adolescentes sempre fecharam portas.
O que mudou foi o tamanho do mundo que agora cabe dentro do quarto.
Atrás daquela tela podem existir dezenas ou centenas de pessoas: adultos, adolescentes, desconhecidos, comunidades fechadas, imagens violentas, humilhações, chantagens, desafios, mecanismos de pertencimento e relações que os pais sequer sabem que existem.
É nesse ponto que a frase “os pais deveriam vigiar” começa a me parecer perigosamente confortável.
Culpar exclusivamente os pais é como colocar uma arma carregada dentro de casa, mostrar à criança exatamente onde ela está e dizer: isso é perigoso, não mexa.
E, se um dia acontecer uma tragédia, simplesmente perguntar: mas onde estavam os pais? Orientar uma criança sobre um perigo não elimina o perigo, muito menos encerra a responsabilidade de quem criou as condições para que ela tivesse acesso a ele.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.