Entre crises e isolamento, Flávio Bolsonaro chega competitivo ao início da campanha
Flávio Bolsonaro: filho do ex-presidente Jair Bolsonaro segue competitivo (Vittor Sales/-)
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega ao início oficial da campanha presidencial neste domingo, 16, ainda competitivo nas pesquisas, apesar de uma sequência de desgastes políticos que atingiram sua pré-campanha nos últimos três meses.
O candidato fará seu primeiro ato em Copacabana , no Rio de Janeiro, estado onde construiu sua trajetória política, em uma tentativa de largar a campanha nacional a partir de seu principal reduto eleitoral.
A manutenção do senador no primeiro pelotão da disputa ocorre depois de episódios que levaram aliados e adversários a questionar o impacto das crises sobre sua candidatura. Entre eles estão a divulgação de mensagens e de um áudio com Daniel Vorcaro , controlador do extinto Banco Master, as explicações sobre encontros entre os dois e o desgaste público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro .
Uma pesquisa Genial/Quaest mostrou que 65% dos entrevistados consideraram errado o pedido de recursos feito por Flávio a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.
A crise familiar também ganhou dimensão eleitoral. Em julho, levantamento Genial/Quaest mostrou que, entre os entrevistados que conheciam a disputa entre Flávio e Michelle, 42% concordavam mais com a ex-primeira-dama, ante 18% que ficavam ao lado do senador. Os dois deram sinais de reconciliação, e Michelle participou por vídeo da convenção do PL e declarou apoio à candidatura, além de ter gravado vídeos para a campanha nesta semana.
Apesar desses episódios, Flávio não sofreu até agora uma perda eleitoral capaz de ameaçar sua posição como principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa Quaest, divulgada na sexta-feira, 14, mostrou Lula com 38% e Flávio com 31% no primeiro turno, diferença de sete pontos percentuais. Em uma simulação de segundo turno, os dois aparecem em empate técnico, com menor vantagem do petista dos últimos meses.
Outros levantamentos registraram oscilações maiores. No início de agosto, a pesquisa BTG/Nexus apontou avanço de Flávio de 33% para 37%, ante 41% de Lula , empate técnico dentro da margem de erro. O crescimento apareceu inclusive em segmentos nos quais o petista historicamente registra vantagem, como eleitores de menor renda e moradores do Nordeste. Nesse levantamento, Flávio passou de 24% para 34% na região, enquanto Lula caiu de 57% para 48%.
A resiliência eleitoral contrasta com uma dificuldade política que acompanhou Flávio desde o lançamento da pré-candidatura: a incapacidade de atrair formalmente grandes partidos de centro para sua chapa. PP, União Brasil e Republicanos decidiram não aderir nacionalmente à candidatura, e o senador terminou com uma chapa puro-sangue, expressão usada para uma composição entre candidatos da mesma legenda, ao escolher o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice.
A conta atribui ao petista 46,35% do horário destinado aos presidenciáveis e 35,77% ao senador.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.